"Hoje eu não vou conseguir dormir"
Apago a luz. Deito-me. Toco com as mãos um travesseiro. Com os pernas, o outro. Agora são dois travesseiros. Até um tempo atrás, não era nenhum. Levanto-me. Fecho a janela, para evitar que a claridade crescente das primeiras horas do dia me acordem mais cedo do que gostaria. Deito-me. Levanto-me. Abro a janela, preferindo acordar mais cedo a dormir estático e doente, como uma saca de 50kg de batatas podres. Exagerei na imagem. Deito-me. Penso nas atividades mecânicas e desapaixonadas que deverei ter no dia seguinte. Levanto-me. O travesseiro das pernas caem no chão. Das minhas pernas. Preciso de cinco, dez minutos pra repensar no dia. Deito-me. Quanto mais tarde dormir, mais cansado estarei para ser mecanicamente perfeito. Penso fixamente na luz do celular para sentir sono. Levanto-me. Vou próximo da janela. Revejo cenas da noite que está acabando. Linda! A noite que está acabando. Espontânea, surpreendente a noite que se vai. Deito-me. Amanhã preciso de alguns carimbos, algumas assinaturas reconhecidas, alguns relatórios digitados. Levanto-me. Um copo... meio copo de leite... um quarto de um copo de leite; os outros 75% para o ralo da pia. Deito-me. Finjo que durmo. Finjo que sonho. Levanto-me. Os melhores sonhos são aqueles que temos acordados. Pieguice sem tamanho. Deito-me. Levanto-me. Os melhores sonhos são aqueles que vivemos. Como a noite que está acabando. Não estava dormindo. Ainda não estou. Ainda estou sonhando. Deito-me. Tento dormir para não sonhar mais. Levanto-me. Deito-me. Levanto-me. Hoje eu não quero dormir deitado. Hoje eu não vou conseguir dormir.
Nos vemos.
sábado, 26 de março de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
Discurso sobre amizade adolescente.
Este discurso era para ser lido no dia 23 de dezembro de 2010, data do encontro anual dos formandos de 2004, do Colégio Gradual, na belíssima cidade de Santo André. No entanto, como algumas pessoas não puderem comparecer, publico-o, agora, com algum atraso - desculpável.
À medida que os anos passam, fica cada vez mais difícil pensar na gente. Quando entramos na universidade, bradávamos romanticamente contra o tempo e a distância. Mas... e hoje? Hoje que já somos maiores que o tempo e a distância, hoje que já somos profissionais, e que já temos nossa própria família, e que nos reinventamos 20 vezes ao longo do ano?
...
Honestamente... a minha impressão é que vocês estão guardados todos dentro de mim como verdadeiros deuses. E toda vez que me vejo em alguma situação de risco, seja ela de qualquer espécie, vocês surjem, heróis, absolutos, convictos para derrotar qualquer um... até eu mesmo, quando é preciso.
É era de nos vermos de novo! Para que acreditemos que não só existimos, mas estamos de bom grado dispostos a reproduzir aqueles abraços de 2004, 05, 06, 07, 08, 09...
Este discurso era para ser lido no dia 23 de dezembro de 2010, data do encontro anual dos formandos de 2004, do Colégio Gradual, na belíssima cidade de Santo André. No entanto, como algumas pessoas não puderem comparecer, publico-o, agora, com algum atraso - desculpável.
À medida que os anos passam, fica cada vez mais difícil pensar na gente. Quando entramos na universidade, bradávamos romanticamente contra o tempo e a distância. Mas... e hoje? Hoje que já somos maiores que o tempo e a distância, hoje que já somos profissionais, e que já temos nossa própria família, e que nos reinventamos 20 vezes ao longo do ano?
...
Honestamente... a minha impressão é que vocês estão guardados todos dentro de mim como verdadeiros deuses. E toda vez que me vejo em alguma situação de risco, seja ela de qualquer espécie, vocês surjem, heróis, absolutos, convictos para derrotar qualquer um... até eu mesmo, quando é preciso.
É era de nos vermos de novo! Para que acreditemos que não só existimos, mas estamos de bom grado dispostos a reproduzir aqueles abraços de 2004, 05, 06, 07, 08, 09...
terça-feira, 15 de março de 2011
E-mail, enviado em 11 de Março:
Você acha então a criança está mal colocada? Deveria ser um adolescente ouvindo a história? Outra coisa: você acha que existe mesmo um momento simbólico no qual tomamaos consciência da vida real? Estou perguntando de forma séria porque relamente gostaria de saber a sua impressão sobre isso...
Contiuando:
PARTE II
Respirando fundo, a mãe lançou se na tarefa de contar a versão real daquela história tantas e tantas vezes mentida para o filho:
- Os dois não se casaram, nem ficaram juntos. Na verdade, depois de dois meses de convivência - eles haviam ido morar juntos com os pais dela, que não eram reis coisa nenhuma, e sim donos de grandes bingos na região serrana do Rio -, as briguinhas, já muito comuns na época do namoro, tornaram-se decisivas para que ambos admitissem a incompreensão mútua.
Logo vieram as traições, seguidas de agressões físicas e, por fim, felizmente, a separação.
- Já existia separação naquela época? - perguntou curioso o filho.
- Claro! Sempre existiu! As pessoas sempre se separaram, oficialmente ou não...
E-mail resposta, recebido em 11 de Março:
Então sabe, pode ser várias coisas, ela pode ser uma criança prestes a descobrir a cruel realidade, pode ser um adolescente cansado de ouvir a mesma história, ou pode ser uma criança tão inoscente q não entenderá nad do q a mãe dirá... Sim, eu acho q na vida de td mundo tem algo q faz a pessoa mudar o pensamento e cair na realidade...
Enfim acho q as respostas são essas...
Fim do exercício, mas essa história poderia ir ainda bem longe...
Nos vemos.
Você acha então a criança está mal colocada? Deveria ser um adolescente ouvindo a história? Outra coisa: você acha que existe mesmo um momento simbólico no qual tomamaos consciência da vida real? Estou perguntando de forma séria porque relamente gostaria de saber a sua impressão sobre isso...
Contiuando:
PARTE II
Respirando fundo, a mãe lançou se na tarefa de contar a versão real daquela história tantas e tantas vezes mentida para o filho:
- Os dois não se casaram, nem ficaram juntos. Na verdade, depois de dois meses de convivência - eles haviam ido morar juntos com os pais dela, que não eram reis coisa nenhuma, e sim donos de grandes bingos na região serrana do Rio -, as briguinhas, já muito comuns na época do namoro, tornaram-se decisivas para que ambos admitissem a incompreensão mútua.
Logo vieram as traições, seguidas de agressões físicas e, por fim, felizmente, a separação.
- Já existia separação naquela época? - perguntou curioso o filho.
- Claro! Sempre existiu! As pessoas sempre se separaram, oficialmente ou não...
E-mail resposta, recebido em 11 de Março:
Então sabe, pode ser várias coisas, ela pode ser uma criança prestes a descobrir a cruel realidade, pode ser um adolescente cansado de ouvir a mesma história, ou pode ser uma criança tão inoscente q não entenderá nad do q a mãe dirá... Sim, eu acho q na vida de td mundo tem algo q faz a pessoa mudar o pensamento e cair na realidade...
Enfim acho q as respostas são essas...
Fim do exercício, mas essa história poderia ir ainda bem longe...
Nos vemos.
sábado, 12 de março de 2011
Dois dedos de prosa ou comentários sobre um texto em construção
E-mail, enviado em 10 de Março:
Começando...:
PARTE I
- E os dois terminaram felizes pra sempre!
- É isso? A história para aí? Mãe, é assim que termina? Apenas um "felizes pra sempre"? - perguntou a crinça irritada...
A mãe não entendeu a reação de repúdio do filho. Achava que conseguiria dormir alguns minutos depois que falasse o "felizes pra sempre". Não escondendo a surpresa, e uma certa expressão de que sabia o que deveria fazer, perguntou:
- Você quer realmente saber o verdadeiro final da história?
- Quero!
- Então vamos lá!
(Lu, comente o que você quiser, até mesmo caso você não queria comentar nada. Se você quiser continuar a história, também fique à vontade...)
Grande abraço!
Alê
E-mail resposta, recebido em 10 de Março:
Tá, comentário:
Ri d+, eu fui ler o e-mail pensando: sobre o que será q é o texto, logo na primeira linha comecei a ri, não parei... sei q não era para ser o tipo texto comédia, mas é q depois de td oq nós conversamos...
Mas vamos lá, agora um comentário q possa te ajudar, ou não... a criança ta mesmo é com cara de adolescente desiludida... quando crianças somos induzidas a pensar q o mundo é colorido e perfeito, mas sempre tem um baque em nossas vidas q transforma o mundo colorido em preto e branco, esse baque depende de pessoa pra pessoa, ou de criança pra criança, para alguns é uma tragédia, para outros uma confiança mal dada, para outras é um texto, uma conversa, enfim...depois q o mundo vira preto e branco, o que td ex criança quer fazer, ou pelo menos aqueles q ainda tem alma de criança(se é q vc acredita nessas coisas), é tornar o mundo preto e branco, colorido novamente... tarefa difícil essa...
Vou continuar a h istória não... espero ter te ajudado pelo menos um pouco...
Luiza
Nos vemmos.
E-mail, enviado em 10 de Março:
Começando...:
PARTE I
- E os dois terminaram felizes pra sempre!
- É isso? A história para aí? Mãe, é assim que termina? Apenas um "felizes pra sempre"? - perguntou a crinça irritada...
A mãe não entendeu a reação de repúdio do filho. Achava que conseguiria dormir alguns minutos depois que falasse o "felizes pra sempre". Não escondendo a surpresa, e uma certa expressão de que sabia o que deveria fazer, perguntou:
- Você quer realmente saber o verdadeiro final da história?
- Quero!
- Então vamos lá!
(Lu, comente o que você quiser, até mesmo caso você não queria comentar nada. Se você quiser continuar a história, também fique à vontade...)
Grande abraço!
Alê
E-mail resposta, recebido em 10 de Março:
Tá, comentário:
Ri d+, eu fui ler o e-mail pensando: sobre o que será q é o texto, logo na primeira linha comecei a ri, não parei... sei q não era para ser o tipo texto comédia, mas é q depois de td oq nós conversamos...
Mas vamos lá, agora um comentário q possa te ajudar, ou não... a criança ta mesmo é com cara de adolescente desiludida... quando crianças somos induzidas a pensar q o mundo é colorido e perfeito, mas sempre tem um baque em nossas vidas q transforma o mundo colorido em preto e branco, esse baque depende de pessoa pra pessoa, ou de criança pra criança, para alguns é uma tragédia, para outros uma confiança mal dada, para outras é um texto, uma conversa, enfim...depois q o mundo vira preto e branco, o que td ex criança quer fazer, ou pelo menos aqueles q ainda tem alma de criança(se é q vc acredita nessas coisas), é tornar o mundo preto e branco, colorido novamente... tarefa difícil essa...
Vou continuar a h istória não... espero ter te ajudado pelo menos um pouco...
Luiza
Nos vemmos.
segunda-feira, 7 de março de 2011
E se as escolas desfilassem ao contrário?
Era a última integrante da escola. Logo após sua passagem, o portão da dispersão fora fechado. Fim.
Não entendida muito bem toda aquela situação. Ali, do chão da avenida, via muitas pessoas cantando o samba-enredo. Tentava imaginar o que a Glenda Kolowiski falaria, caso fosse comentar sua fantasia: "Chico, trata-se de uma alusão a Zeus, aquele deus grego dos raios..." ...
Antes da entrada da sua ala - a última a entrar na avenida -, deveria ficar por ali, mal ouvindo as batidas da bateria. Caso pudesse, preferiria estar junto com a Sandy no camarote da "Devassa".
Estaria muito atrasada? Do ônibus, já conseguia ver a movimentação do sambódromo, típica dos dias de desfile. Deus tentara estragar o carnval com chuva, com água, e no entanto, estavam todos ali. Brasileiro não desiste nunca, né...
Ainda tremia. Na saída apressada, tomou o cuidado para não esquecer a fantasia. Sua escola desfilaria às 2h da manhã. Olhou no relógio; 23h23min. Postaria no twitter, caso estivesse em casa. Mas não estava. Se o trânsito ajudasse, chegaria a tempo!
Dispara.
O olhar dele parecia de um psicopata. Ainda que ela soubesse que ele estava muito nervoso, sua expressão era sempre a mesma. Ela começou a enumerar nomes: Ricardo, Daniel, Choquito, Vitinho, Saulo... "Fui para cama com todos eles!". "Foi, é?" Que inferno! Aquele homem parecia não ser atingido por nada... Correu até a gaveta embaixo da cama e pegou...
Interfone. Certamente é o porteiro avisando da chegada dele. Logo agora... Estava ansiosa pelo desfile... Droga! Teria que despachá-lo rápido. Queria logo o fim.
Nos vemos.
Era a última integrante da escola. Logo após sua passagem, o portão da dispersão fora fechado. Fim.
Não entendida muito bem toda aquela situação. Ali, do chão da avenida, via muitas pessoas cantando o samba-enredo. Tentava imaginar o que a Glenda Kolowiski falaria, caso fosse comentar sua fantasia: "Chico, trata-se de uma alusão a Zeus, aquele deus grego dos raios..." ...
Antes da entrada da sua ala - a última a entrar na avenida -, deveria ficar por ali, mal ouvindo as batidas da bateria. Caso pudesse, preferiria estar junto com a Sandy no camarote da "Devassa".
Estaria muito atrasada? Do ônibus, já conseguia ver a movimentação do sambódromo, típica dos dias de desfile. Deus tentara estragar o carnval com chuva, com água, e no entanto, estavam todos ali. Brasileiro não desiste nunca, né...
Ainda tremia. Na saída apressada, tomou o cuidado para não esquecer a fantasia. Sua escola desfilaria às 2h da manhã. Olhou no relógio; 23h23min. Postaria no twitter, caso estivesse em casa. Mas não estava. Se o trânsito ajudasse, chegaria a tempo!
Dispara.
O olhar dele parecia de um psicopata. Ainda que ela soubesse que ele estava muito nervoso, sua expressão era sempre a mesma. Ela começou a enumerar nomes: Ricardo, Daniel, Choquito, Vitinho, Saulo... "Fui para cama com todos eles!". "Foi, é?" Que inferno! Aquele homem parecia não ser atingido por nada... Correu até a gaveta embaixo da cama e pegou...
Interfone. Certamente é o porteiro avisando da chegada dele. Logo agora... Estava ansiosa pelo desfile... Droga! Teria que despachá-lo rápido. Queria logo o fim.
Nos vemos.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Resenha

Oi. Pode parecer meio radical de minha parte... impensado, piegas... Mas preciso te dizer que estou irremediavelmente apaixonado por você.
Não é muito prudente perder a fala ou não agir espontaneamente quando estou perto de você, mas o fato é que essas reações - ou não-reações - são absolutamente incontroláveis.
Não foi amor a primeira vista, ou a segunda. Precisei de muitos encontros, de muitas conversas gritadas. Hoje, 20 de fevereiro de 2011, posso afirmar com alguma convicção e transbordando de emoção de que estou apaixonadíssimo. Romanticamente apaixonado. Largaria minha vida, meus discos, meus gibis, meus games, meus livros, meu trabalho. Se preciso fosse, ficaria com bem pouco de mim para ficar com tudo de você.
Não me diga que tudo isso se trata de um sentimento passageiro. Não. Não me apaxonei por conta de um momento no qual lhe vi bonita. Você não estava de maquiagem, ou sorrindo, ou poeticamente chorando. Você estava toda, 100%, fora de si.
Sua banda começou a cantar "Neighborhood #2 (Laïka)", do disco "Funeral", de 2004. A canção, por si só, já é bastante intensa, sobretudo nos vocais! Mas, em certo momento da música, próximo do último refrão, você enlouquece, grita!
Fiquei pensando se você tivesse a mesma reação quando fóssemos a uma sorveteria, ou andar de mãos dadas no parque, ou a um jantar romântico, ou a uma festa de escola. Tá... eu teria muito trabalho para explicar a sua reação para as pessoas normais, mas eu particularmente adoraria essa forma de engolir toda essa mesquinharia de realidade, cuspindo-lhe agudos raivosos! Seria inacreditavedlmente belo ser tragado pela erupção do seu comportamento acertadamente estranho.
Como disse, talvez de uma ocasião dessas, socialmente sobrasse muito pouco de mim, e certamente nada de você. Mas minha existência estaria premiada com a possibilidade de viver algo que fosse genuinamente real.
Régine Chassagne, traga o Arcade Fire para o Brasil neste 2011, e me faça o favor de corresponder ao meu amor.
Nos vemos.

Oi. Pode parecer meio radical de minha parte... impensado, piegas... Mas preciso te dizer que estou irremediavelmente apaixonado por você.
Não é muito prudente perder a fala ou não agir espontaneamente quando estou perto de você, mas o fato é que essas reações - ou não-reações - são absolutamente incontroláveis.
Não foi amor a primeira vista, ou a segunda. Precisei de muitos encontros, de muitas conversas gritadas. Hoje, 20 de fevereiro de 2011, posso afirmar com alguma convicção e transbordando de emoção de que estou apaixonadíssimo. Romanticamente apaixonado. Largaria minha vida, meus discos, meus gibis, meus games, meus livros, meu trabalho. Se preciso fosse, ficaria com bem pouco de mim para ficar com tudo de você.
Não me diga que tudo isso se trata de um sentimento passageiro. Não. Não me apaxonei por conta de um momento no qual lhe vi bonita. Você não estava de maquiagem, ou sorrindo, ou poeticamente chorando. Você estava toda, 100%, fora de si.
Sua banda começou a cantar "Neighborhood #2 (Laïka)", do disco "Funeral", de 2004. A canção, por si só, já é bastante intensa, sobretudo nos vocais! Mas, em certo momento da música, próximo do último refrão, você enlouquece, grita!
Fiquei pensando se você tivesse a mesma reação quando fóssemos a uma sorveteria, ou andar de mãos dadas no parque, ou a um jantar romântico, ou a uma festa de escola. Tá... eu teria muito trabalho para explicar a sua reação para as pessoas normais, mas eu particularmente adoraria essa forma de engolir toda essa mesquinharia de realidade, cuspindo-lhe agudos raivosos! Seria inacreditavedlmente belo ser tragado pela erupção do seu comportamento acertadamente estranho.
Como disse, talvez de uma ocasião dessas, socialmente sobrasse muito pouco de mim, e certamente nada de você. Mas minha existência estaria premiada com a possibilidade de viver algo que fosse genuinamente real.
Régine Chassagne, traga o Arcade Fire para o Brasil neste 2011, e me faça o favor de corresponder ao meu amor.
Nos vemos.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Tô insinuando...
Em 1995, minha mãe dizia:
Ish... Quando eu cheguei aqui com o seu pai, não tinha nada... nem casas direito. Com muito trabalho, construímos esse sobrado. Depois veio outro, e outro, e outro...
Compramos carros, Kombs, carros e carros. Agora olha aí ó... é outra vila já... e nem estamos no centro da cidade, hein... aposto que em 2010 não vai dar nem pra ver o céu direito, de tanto prédio que vão construir aqui... Vão fechar a nossa paisagem. Já cortaram o pé de pitanga que tinha. Agora vão subir dezenas dessas caixas de sapato! Até 2010...
Ainda em 95, com minha cabeça de menino de oito anos, eu poderia dizer - não com essas palavras:
Os carros mover-se-ão levitando, por ação de forças eletromagnéticas. Nas escolas, anotaremos em cadernetas digitais e o professor, se quiser, poderá abrir um mapa da Itália no quadro.
Os prédios, onde todos morarão, serão interligados por elevadores inteligentes. Poderei com o toque de alguns botões, chegar na casa do meu amigo Felipe, da 1ª série. Controlaremos nossas casas por relógios-cumputadores.
Em 95, com a minha cabeça de hoje, escreveria:
Será um futuro Matrix, no qual ver algum raio de sol será um momento epifânico na existência de um indivíduo. A 3ª guerra mundial não destruirá a Terra porque ela será malignamente administrada para que sobrevivamos feito ratos.
Tudo será escuro, e podre, e feio. As pessoas boas não mais quererão se mostrar com medo de se transformarem em pessoas más. Muita fome, doença, intolerância, dor...
Ao final de 2010, contudo, podemos analisar imageticamente o seguinte aspecto, de tudo que foi dito:

Vista do quintal da minha casa, Santo André.
Nos vemos.
Em 1995, minha mãe dizia:
Ish... Quando eu cheguei aqui com o seu pai, não tinha nada... nem casas direito. Com muito trabalho, construímos esse sobrado. Depois veio outro, e outro, e outro...
Compramos carros, Kombs, carros e carros. Agora olha aí ó... é outra vila já... e nem estamos no centro da cidade, hein... aposto que em 2010 não vai dar nem pra ver o céu direito, de tanto prédio que vão construir aqui... Vão fechar a nossa paisagem. Já cortaram o pé de pitanga que tinha. Agora vão subir dezenas dessas caixas de sapato! Até 2010...
Ainda em 95, com minha cabeça de menino de oito anos, eu poderia dizer - não com essas palavras:
Os carros mover-se-ão levitando, por ação de forças eletromagnéticas. Nas escolas, anotaremos em cadernetas digitais e o professor, se quiser, poderá abrir um mapa da Itália no quadro.
Os prédios, onde todos morarão, serão interligados por elevadores inteligentes. Poderei com o toque de alguns botões, chegar na casa do meu amigo Felipe, da 1ª série. Controlaremos nossas casas por relógios-cumputadores.
Em 95, com a minha cabeça de hoje, escreveria:
Será um futuro Matrix, no qual ver algum raio de sol será um momento epifânico na existência de um indivíduo. A 3ª guerra mundial não destruirá a Terra porque ela será malignamente administrada para que sobrevivamos feito ratos.
Tudo será escuro, e podre, e feio. As pessoas boas não mais quererão se mostrar com medo de se transformarem em pessoas más. Muita fome, doença, intolerância, dor...
Ao final de 2010, contudo, podemos analisar imageticamente o seguinte aspecto, de tudo que foi dito:
Vista do quintal da minha casa, Santo André.
Nos vemos.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Olá, tenho uma amiga muito especial, uma prima, na verdade, que escreve algumas coisas. Gostaria de mostrá-las para vocês... Segue:
Dúvidas do amor
Mariana dos Santos
Amor,
Doce amor,
Azedo amor,
O que é o amor?
Amor, amor...
Amor que passa,
Amor eterno,
Quanto dura o amor?
Amor de sonho,
Amor real,
O amor existe?
Essas são duvidas que ficarão sem resposta,
Duvidas eternas,
Que sempre existirão.
Nos vemos.
Dúvidas do amor
Mariana dos Santos
Amor,
Doce amor,
Azedo amor,
O que é o amor?
Amor, amor...
Amor que passa,
Amor eterno,
Quanto dura o amor?
Amor de sonho,
Amor real,
O amor existe?
Essas são duvidas que ficarão sem resposta,
Duvidas eternas,
Que sempre existirão.
Nos vemos.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Listas - por que não fazê-las?
As múscias mais decisivas do ano de 2010. (Pra mim). Não na ordem.
"A day in the life", Beatles;
"Judy and the dream of horses", Belle & Sebastian;
"I fell it all", Feist;
"I hate seagulls", Kate Nash
"Noise James", Macaco Bong;
"The wold at large", Modest Mouse;
"Idioteque", Radiohead;
"The District Sleeps Alone Tonight", The postal service;
"1901", Phoenix;
"Eternal Sunshine - Peer Pressure / Elephant Parade (Piano)";
É evidente que esqueci músicas e artistas. O que fica escrito, contudo, é uma amostra bastante razoável, menos pela qualidade e mais pela representatividade.
Sugestões?
Nos vemos.
As múscias mais decisivas do ano de 2010. (Pra mim). Não na ordem.
"A day in the life", Beatles;
"Judy and the dream of horses", Belle & Sebastian;
"I fell it all", Feist;
"I hate seagulls", Kate Nash
"Noise James", Macaco Bong;
"The wold at large", Modest Mouse;
"Idioteque", Radiohead;
"The District Sleeps Alone Tonight", The postal service;
"1901", Phoenix;
"Eternal Sunshine - Peer Pressure / Elephant Parade (Piano)";
É evidente que esqueci músicas e artistas. O que fica escrito, contudo, é uma amostra bastante razoável, menos pela qualidade e mais pela representatividade.
Sugestões?
Nos vemos.
domingo, 19 de dezembro de 2010
Quase confissões de adolescente ou Página de currículo
"O inimitável", Roberto Carlos 1968. Não ouvi.
Os poemas de Petrarca. Não li.
"And I love her", Beatles 1964. Ouvi.
"Crepúsculo". Li.
"A bela e a fera", brodway. Não assisti.
Show Radiohead, Brasil 2008. Assisti.
Circo da Maramaravilha. Fui.
Curso de inglês Fisk. Fiz.
"Rebolation". Dancei.
Amigos. Fiz.
Discussões. Tive.
Carta de amor. Escrevi.
"Matrix". Assisti.
Black Label. Não tomei.
Formatação de computador. Não fiz.
Aula sobre Álvares de Azevedo. Já dei.
Soneca na rodoviária. Já dormi.
Panetone. Noss... comi.
Triciclo. Tive.
Alergias. Tenho.
Mulheres. Gosto.
Homens. São simpáticos. Alguns.
Roxo. Gosto.
Experiência. Tenho. Não tenho.
Nos vemos.
"O inimitável", Roberto Carlos 1968. Não ouvi.
Os poemas de Petrarca. Não li.
"And I love her", Beatles 1964. Ouvi.
"Crepúsculo". Li.
"A bela e a fera", brodway. Não assisti.
Show Radiohead, Brasil 2008. Assisti.
Circo da Maramaravilha. Fui.
Curso de inglês Fisk. Fiz.
"Rebolation". Dancei.
Amigos. Fiz.
Discussões. Tive.
Carta de amor. Escrevi.
"Matrix". Assisti.
Black Label. Não tomei.
Formatação de computador. Não fiz.
Aula sobre Álvares de Azevedo. Já dei.
Soneca na rodoviária. Já dormi.
Panetone. Noss... comi.
Triciclo. Tive.
Alergias. Tenho.
Mulheres. Gosto.
Homens. São simpáticos. Alguns.
Roxo. Gosto.
Experiência. Tenho. Não tenho.
Nos vemos.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Amor, amizade e morte – tudo misturado agora!
- Ele foi internado na noite de ontem. Parece que o carro em que ele estava capotou logo depois do segundo pedágio da Bandeirantes, voltando pra São Paulo...
- Mas você sabe se ela gosta de você? Ela já deu alguma pista?
- Faz um tempo que a gente não conversa, né...
- Ah... sei lá... acho que não. Mas é por isso mesmo que eu gosto dela. A beleza dela – em toda sua plenitude – existe naturalmente, sem uma razão prática.
- Faz...! Uns três meses, né...
- Isso é tempo demais dentro de uma vida!
- Mas e como ele está?
- Hahahahaha... para com esse papo, vai... Você já passou da idade de ter amores plantônicos!
- Engraçado... os amores pareciam acontecer mais quando eram apenas – não sei se “apenas” é a melhor palavra – platônicos.
- Mas hoje não funciona mais assim. Há interesse? Sim? Então pronto! Acabou! Vai lá, ficam juntos e ponto final.
- Mas acho que pra gente fica sendo uns três dias no máximo, não?
- Hahahahaha... É verdade! E aí? Comprou finalmente seu play 3?
- ... Eu sinto muitíssimo em dizer que ele faleceu, Alê...
- Mas e as cartas, as músicas, a espera, o ficar sem palavras?
- Guarde essas coisas para escrever um livro...
Nos vemos.
- Ele foi internado na noite de ontem. Parece que o carro em que ele estava capotou logo depois do segundo pedágio da Bandeirantes, voltando pra São Paulo...
- Mas você sabe se ela gosta de você? Ela já deu alguma pista?
- Faz um tempo que a gente não conversa, né...
- Ah... sei lá... acho que não. Mas é por isso mesmo que eu gosto dela. A beleza dela – em toda sua plenitude – existe naturalmente, sem uma razão prática.
- Faz...! Uns três meses, né...
- Isso é tempo demais dentro de uma vida!
- Mas e como ele está?
- Hahahahaha... para com esse papo, vai... Você já passou da idade de ter amores plantônicos!
- Engraçado... os amores pareciam acontecer mais quando eram apenas – não sei se “apenas” é a melhor palavra – platônicos.
- Mas hoje não funciona mais assim. Há interesse? Sim? Então pronto! Acabou! Vai lá, ficam juntos e ponto final.
- Mas acho que pra gente fica sendo uns três dias no máximo, não?
- Hahahahaha... É verdade! E aí? Comprou finalmente seu play 3?
- ... Eu sinto muitíssimo em dizer que ele faleceu, Alê...
- Mas e as cartas, as músicas, a espera, o ficar sem palavras?
- Guarde essas coisas para escrever um livro...
Nos vemos.
Modest Mouse
Ouvindo o disco This Is a Long Drive for Someone with Nothing to Think About, fiquei realmente impressionado com a sonoridade da banda americana Modest Mouse. Não que eu entenda de produção musical, mas o título do disco me pareceu bastante adequado aos 72 min. (aproximadamente) de melodias “quase” progressivas.
Destaque para as músicas finais: “Tundra/Desert”, “Exist does not exist”, “Talking shit about a pretty sunset”, “Make everyone happy/Mechanical Birds” e “Space traveling is boring”.
Ouvindo o disco This Is a Long Drive for Someone with Nothing to Think About, fiquei realmente impressionado com a sonoridade da banda americana Modest Mouse. Não que eu entenda de produção musical, mas o título do disco me pareceu bastante adequado aos 72 min. (aproximadamente) de melodias “quase” progressivas.
Destaque para as músicas finais: “Tundra/Desert”, “Exist does not exist”, “Talking shit about a pretty sunset”, “Make everyone happy/Mechanical Birds” e “Space traveling is boring”.
sábado, 4 de dezembro de 2010
Aos alunos, com carinho
Que sono! Agora o banho, a escova, a pasta. O pão, o chocolate, o leite, o panetone, as migalhas desastradamente espalhadas pelo chão. O carro, as ruas, o cachorro, os semáforos, as pessoas, e o sono de novo. A vaga, a portaria, a Jaque, o Paulo, os colegas, os armários. O sinal, o giz, o corredor, as salas, a lousa, o “bom dia de chapéu”. A Literatura, os livros, os escritores, as histórias. Por fim, o grande clímax de tudo isso, dia-após-dia, surpreendetemente inéditos, (pausa) VOCÊS!
Nas últimas semanas, o Brasil parece estar bastante empenhado na luta contra a violência na cidade do Rio de Janeiro. É nosso desejo que tudo se resolva da melhor forma possível por lá. Mas... e depois? Faltará resolver ainda o problema da violência em todos as outras cidades do país, e do mundo, e o problema da saúde, da habitação, da alimentação, da cultura e tantos outros, e tantos outros, e mais outros, e ainda outros que eu nem sei.
E o problema da educação... (pausa)?
Esse eu mesmo resolvo. Todos os dias. O tempo todo. Resolvo com o Tiagão, o L.G., a Ju, o Cadu, o João e com centenas de milhares de outros românticos e utopistas como eu. Esse, seis anos atrás, eu comecei resolvendo junto com a Mi e o Lelê, o Lego, que seguirá resolvendo tantos problemas ou mais que eu.
Felizmente não precisamos de olimpíadas ou copas para que nos mexamos. Vocês, pra mim, já são suficientes. Porque o almoço com vocês é produtivo, a bienal, a peça, as conversas, o show, o humor, o choro, as aulas, o plantão também. A Literatura de vocês, pra mim, já é clássica. O carinho de vocês e a presença, às vezes, e de agora em diante, até mesmo a ausência, já são suficientes.
Vou acordar hoje de novo. E amanhã também, e depois, e depois, e depois... Vou formar seus irmãos, e seus filhos, e seus netos, e seus bisnetos. Vou seguir acordando sempre cedo, e sempre todos os dias. Vou acordar não para garantir que vocês “descasem em paz”, mas para que vocês durmam tranquilos, e também possam acordar - talvez um pouco mais tarde do que eu - com a convicção de que um dia vivamos rodeados por todos os cantos de pessoas boas, exatamente iguais aquelas pessoas para quem eu acordei em todas as minhas manhãs de quarta-feira do ano de 2010!
Queridos alunos, meninos, muito obrigado!
*texto lido em cerimônia de colação dos aluns do terceiro ano de ensino médio do Colégio Fleming - Campinas.
Nos vemos.
Que sono! Agora o banho, a escova, a pasta. O pão, o chocolate, o leite, o panetone, as migalhas desastradamente espalhadas pelo chão. O carro, as ruas, o cachorro, os semáforos, as pessoas, e o sono de novo. A vaga, a portaria, a Jaque, o Paulo, os colegas, os armários. O sinal, o giz, o corredor, as salas, a lousa, o “bom dia de chapéu”. A Literatura, os livros, os escritores, as histórias. Por fim, o grande clímax de tudo isso, dia-após-dia, surpreendetemente inéditos, (pausa) VOCÊS!
Nas últimas semanas, o Brasil parece estar bastante empenhado na luta contra a violência na cidade do Rio de Janeiro. É nosso desejo que tudo se resolva da melhor forma possível por lá. Mas... e depois? Faltará resolver ainda o problema da violência em todos as outras cidades do país, e do mundo, e o problema da saúde, da habitação, da alimentação, da cultura e tantos outros, e tantos outros, e mais outros, e ainda outros que eu nem sei.
E o problema da educação... (pausa)?
Esse eu mesmo resolvo. Todos os dias. O tempo todo. Resolvo com o Tiagão, o L.G., a Ju, o Cadu, o João e com centenas de milhares de outros românticos e utopistas como eu. Esse, seis anos atrás, eu comecei resolvendo junto com a Mi e o Lelê, o Lego, que seguirá resolvendo tantos problemas ou mais que eu.
Felizmente não precisamos de olimpíadas ou copas para que nos mexamos. Vocês, pra mim, já são suficientes. Porque o almoço com vocês é produtivo, a bienal, a peça, as conversas, o show, o humor, o choro, as aulas, o plantão também. A Literatura de vocês, pra mim, já é clássica. O carinho de vocês e a presença, às vezes, e de agora em diante, até mesmo a ausência, já são suficientes.
Vou acordar hoje de novo. E amanhã também, e depois, e depois, e depois... Vou formar seus irmãos, e seus filhos, e seus netos, e seus bisnetos. Vou seguir acordando sempre cedo, e sempre todos os dias. Vou acordar não para garantir que vocês “descasem em paz”, mas para que vocês durmam tranquilos, e também possam acordar - talvez um pouco mais tarde do que eu - com a convicção de que um dia vivamos rodeados por todos os cantos de pessoas boas, exatamente iguais aquelas pessoas para quem eu acordei em todas as minhas manhãs de quarta-feira do ano de 2010!
Queridos alunos, meninos, muito obrigado!
*texto lido em cerimônia de colação dos aluns do terceiro ano de ensino médio do Colégio Fleming - Campinas.
Nos vemos.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Aula de Redação para 6º Ano
Meninos,
a vida é algo muito complexo.
Vão dizer que você deve estudar. Mas não é só estudar.
Vão dizer que você precisa sempre pensar duas vezes antes de agir. Mas às vezes é melhor não pensar. Em outras, nem agir é preciso.
Vão dizer “Não beba”. Mas muitos vão te convidar pra beber.
Vão dizer “eu te amo”. Meses depois nem “oi” pra dizer restará.
Vão dizer “Pense”. Mas vão fazer você não pensar.
Vão fazer você trabalhar, para você também não pensar.
Eles querem que você crie narrativas. Mas ninguém para de verdade pra escutar as suas histórias.
Eles querem que você tenha amigos. Mas você raramente vai vê-los.
Eles querem que você compre... isso nem é preciso dizer, né...
Vão viver você.
Vão fazer você viver.
Nos vemos.
Meninos,
a vida é algo muito complexo.
Vão dizer que você deve estudar. Mas não é só estudar.
Vão dizer que você precisa sempre pensar duas vezes antes de agir. Mas às vezes é melhor não pensar. Em outras, nem agir é preciso.
Vão dizer “Não beba”. Mas muitos vão te convidar pra beber.
Vão dizer “eu te amo”. Meses depois nem “oi” pra dizer restará.
Vão dizer “Pense”. Mas vão fazer você não pensar.
Vão fazer você trabalhar, para você também não pensar.
Eles querem que você crie narrativas. Mas ninguém para de verdade pra escutar as suas histórias.
Eles querem que você tenha amigos. Mas você raramente vai vê-los.
Eles querem que você compre... isso nem é preciso dizer, né...
Vão viver você.
Vão fazer você viver.
Nos vemos.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
A VERDADE
Depois de anos de busca, andando pelos lugares mais recônditos do mundo, ele havia encontrado, pelas mãos de um indiano aportuguesado o baú no qual se dizia repousar A VERDADE...
Não largou o baú em um só momento na viagem de volta para o Brasil. Carregou-o dentro da sua bolsa de mão.
Agora lá estava ele. No seu quarto, agora sozinho, absolutamente sozinho. Nem cadeado havia para retardar o certo momento epifânico.
Levantou a tampa e, como esperava - aliás, como havia fantasiado sua vida inteira -, A VERDADE estava escrita em uma folha de papel. Não era uma folha especificamente diferente. Nada de aparência de velha, ou feita de um material desconhecido... A VERDADE estava escrita em uma folha de sulfite.
Não prolongou mais. Pegou no papel. Leu, escrito na sua parte exterior: "Abra!".
Após desdobrar o papel, A VERDADE apareceu...:
"Feche!"
Nos vemos.
Depois de anos de busca, andando pelos lugares mais recônditos do mundo, ele havia encontrado, pelas mãos de um indiano aportuguesado o baú no qual se dizia repousar A VERDADE...
Não largou o baú em um só momento na viagem de volta para o Brasil. Carregou-o dentro da sua bolsa de mão.
Agora lá estava ele. No seu quarto, agora sozinho, absolutamente sozinho. Nem cadeado havia para retardar o certo momento epifânico.
Levantou a tampa e, como esperava - aliás, como havia fantasiado sua vida inteira -, A VERDADE estava escrita em uma folha de papel. Não era uma folha especificamente diferente. Nada de aparência de velha, ou feita de um material desconhecido... A VERDADE estava escrita em uma folha de sulfite.
Não prolongou mais. Pegou no papel. Leu, escrito na sua parte exterior: "Abra!".
Após desdobrar o papel, A VERDADE apareceu...:
"Feche!"
Nos vemos.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Mudança de quarto, mudança de móveis
Se tiro uma cama, fico marcadamente sozinho.
Se coloco uma de casal ou casei ou sou safadamente solteiro.
Ponho lá uma tv e um play 3, transformo-me num anti-social.
Grudo na porta uma placa de "Não perturbe" e irremediavelmente não serei perturbado. Pode ser que eu fique lá até começar a feder.
Se compro um tapete, sou fresco.
Se deixo sem varrer, sou porco.
Colocando meus livros, sou intelectualzinho de merda. Se deixo sem, me chamam de fútil.
Se decoro com fotos dos meus amigos, sou adolescente. Se fico visualmente sozinho, sou o coração gelado.
Se organizo posições, cores e tamanhos, tenho toque. Mantendo minha anarquia, sou muleque desorganizado.
Se entro com mulher, sou machão pegador; com homem, gay; sozinho, dispensável.
Se permaneço indiferente, não mudo. Se mudo, não falo.
Ph, por que você foi mudá?
Nos vemos.
ps: Bob, boa sorte!
Se tiro uma cama, fico marcadamente sozinho.
Se coloco uma de casal ou casei ou sou safadamente solteiro.
Ponho lá uma tv e um play 3, transformo-me num anti-social.
Grudo na porta uma placa de "Não perturbe" e irremediavelmente não serei perturbado. Pode ser que eu fique lá até começar a feder.
Se compro um tapete, sou fresco.
Se deixo sem varrer, sou porco.
Colocando meus livros, sou intelectualzinho de merda. Se deixo sem, me chamam de fútil.
Se decoro com fotos dos meus amigos, sou adolescente. Se fico visualmente sozinho, sou o coração gelado.
Se organizo posições, cores e tamanhos, tenho toque. Mantendo minha anarquia, sou muleque desorganizado.
Se entro com mulher, sou machão pegador; com homem, gay; sozinho, dispensável.
Se permaneço indiferente, não mudo. Se mudo, não falo.
Ph, por que você foi mudá?
Nos vemos.
ps: Bob, boa sorte!
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Carta para minha namorada da década de 50 (do século XX)
Linda,
hoje eu te vi. Você estava passeando com a sua mãe pelo Jardim Botânico. Estavam você, sua mãe, mais duas moças que eu não conhecia. Você estava tão linda. Nem me fiz reparar. Eu vinha de uma corrida atrás de um papagaio.
Quando cheguei em casa, não consegui fazer outra coisa, senão pensar em você. Esta carta foi a solução que encontrei para não pensar tanto em você à toa.
Você me acha bobo? Se eu, por acaso, usar as próximas todas linhas para enumerar as qualidades que acho em você, você se cansaria de mim? Eu não sei exatamente qual é a medida literária para demonstração do meu amor. Caso você se canse, prefira rasgar a carta a terminá-la enjoada de mim. E, se inevitavelmente você se cansar de mim, não se tranque numa torre pra sempre. Siga com seus passeios matutinos, quando a luz do dia favorece sua beleza pueril; continue olhando a lua para que a noite projete suas sombras de mulher.
Nem sei mais o que fazer sem você. Não sou dado a exageros românticos, mas também nem ligo para as afetações do meu romantismo, se o fim primeiro e último é saturar meu sentimento insaturável (existe essa palavra?) por você.
Outro dia, o professor de artes propôs que desenhássemos uma rosa. Eu tinha duas folhas. Gastei a primeira escrevendo acidentalmente seu nome 1437 vezes. Na segunda, não consegui desenhar nada até o final da aula. Voltei pra casa com uma terceira folha; a da advertência dada pelo professor. No verso dessa, finalmente consegui desenhar algo; desenhei seu rosto.
Espero que quando você de ler esta carta, fique pensando em mim por muito tempo. Melhor: perca a noção do tempo. Até de mim já me perdi, pensando em você...
Espero que possamos conversar amanhã. Não que eu tenha muito o que falar. Mas é sempre bom te ouvir.
Um beijo carinhoso, do seu namorado.
O remetente dessa carta nunca chegou a entregá-la. Na verdade, ela nunca sequer existiu. Seu primeiro registro é este, que é virtual e portanto não existe.
Mesmo se a carta tivesse existido, nunca teria sido entregue. O autor dela certamente nunca teria nem conhecido a destinatária. Seria um amor, desses platônicos, para os quais se escrevem cartas que nunca se enviam...
Nos vemos.
ps: post motivado pelo filme "A felicidade suprema" (2010), de Arnaldo Jabor.
Linda,
hoje eu te vi. Você estava passeando com a sua mãe pelo Jardim Botânico. Estavam você, sua mãe, mais duas moças que eu não conhecia. Você estava tão linda. Nem me fiz reparar. Eu vinha de uma corrida atrás de um papagaio.
Quando cheguei em casa, não consegui fazer outra coisa, senão pensar em você. Esta carta foi a solução que encontrei para não pensar tanto em você à toa.
Você me acha bobo? Se eu, por acaso, usar as próximas todas linhas para enumerar as qualidades que acho em você, você se cansaria de mim? Eu não sei exatamente qual é a medida literária para demonstração do meu amor. Caso você se canse, prefira rasgar a carta a terminá-la enjoada de mim. E, se inevitavelmente você se cansar de mim, não se tranque numa torre pra sempre. Siga com seus passeios matutinos, quando a luz do dia favorece sua beleza pueril; continue olhando a lua para que a noite projete suas sombras de mulher.
Nem sei mais o que fazer sem você. Não sou dado a exageros românticos, mas também nem ligo para as afetações do meu romantismo, se o fim primeiro e último é saturar meu sentimento insaturável (existe essa palavra?) por você.
Outro dia, o professor de artes propôs que desenhássemos uma rosa. Eu tinha duas folhas. Gastei a primeira escrevendo acidentalmente seu nome 1437 vezes. Na segunda, não consegui desenhar nada até o final da aula. Voltei pra casa com uma terceira folha; a da advertência dada pelo professor. No verso dessa, finalmente consegui desenhar algo; desenhei seu rosto.
Espero que quando você de ler esta carta, fique pensando em mim por muito tempo. Melhor: perca a noção do tempo. Até de mim já me perdi, pensando em você...
Espero que possamos conversar amanhã. Não que eu tenha muito o que falar. Mas é sempre bom te ouvir.
Um beijo carinhoso, do seu namorado.
O remetente dessa carta nunca chegou a entregá-la. Na verdade, ela nunca sequer existiu. Seu primeiro registro é este, que é virtual e portanto não existe.
Mesmo se a carta tivesse existido, nunca teria sido entregue. O autor dela certamente nunca teria nem conhecido a destinatária. Seria um amor, desses platônicos, para os quais se escrevem cartas que nunca se enviam...
Nos vemos.
ps: post motivado pelo filme "A felicidade suprema" (2010), de Arnaldo Jabor.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
AGENDA DO FERIADÃO:
SÁBADO (30.10):
Micareta em Caconde! No cardápio, Chiclete, Ivete, Margarete. Participação especial.: Vitor e Leo.
DOMINGO (31.10):
Balada de Haloween em Campinas! Open Bar, DJs tops. Justifique seu voto na balada!
Segunda (01.11):
Para esfriar a cabeça, cineminha!!! Uma bela comédia romântica para aumentar as taxas diabéticas...!
Terça (02.11):
Ler, ler, ler! Dan Brown, Saga Crepúsculo, Paulo Coelho!
"Criminterrupção significa a capacidade de estacar, como por instinto, no limiar de todo pensamento perigoso. O conceito inclui a capacidade de não entender analogias, de deixar de perceber erros lógicos, de compreender mal os argumentos mais simples, caso sejam antagônicos ao Socing, e de sentir-se entediado ou incomodado por toda sequência de raciocínio capaz de enveredar por um rumo herético. Em suma, criminterrupção significa BURRICE PROTETORA".
(Fragmento do livro 1984, de George Orwell)
Não estou propondo uma intelectualização do tempo livre apenas como articulação de uma imagem de ser superior. Estou marcando a necessidade de que tenhamos os olhos abertos!
Nos vemos.
SÁBADO (30.10):
Micareta em Caconde! No cardápio, Chiclete, Ivete, Margarete. Participação especial.: Vitor e Leo.
DOMINGO (31.10):
Balada de Haloween em Campinas! Open Bar, DJs tops. Justifique seu voto na balada!
Segunda (01.11):
Para esfriar a cabeça, cineminha!!! Uma bela comédia romântica para aumentar as taxas diabéticas...!
Terça (02.11):
Ler, ler, ler! Dan Brown, Saga Crepúsculo, Paulo Coelho!
"Criminterrupção significa a capacidade de estacar, como por instinto, no limiar de todo pensamento perigoso. O conceito inclui a capacidade de não entender analogias, de deixar de perceber erros lógicos, de compreender mal os argumentos mais simples, caso sejam antagônicos ao Socing, e de sentir-se entediado ou incomodado por toda sequência de raciocínio capaz de enveredar por um rumo herético. Em suma, criminterrupção significa BURRICE PROTETORA".
(Fragmento do livro 1984, de George Orwell)
Não estou propondo uma intelectualização do tempo livre apenas como articulação de uma imagem de ser superior. Estou marcando a necessidade de que tenhamos os olhos abertos!
Nos vemos.
domingo, 31 de outubro de 2010
IDENTIDADE: PARTE I (dos 10 aos 20)
Futebol - Jovem Guarda - Fernanda Porto - Harry Potter - Biquini Cavadão - Titãs - Paralamas - Skank - Circuladô de Fulô - Senhor dos Anéis - Los Hermanos - 89FM Raimundos - The Calling - Hoobastank - Nintendo 64 - Santo André - Fantástico - FHC - LULA.
De modo geral, bem pouco consistente, perigosamente eclético, toscamente vencedor.
Nos vemos.
Futebol - Jovem Guarda - Fernanda Porto - Harry Potter - Biquini Cavadão - Titãs - Paralamas - Skank - Circuladô de Fulô - Senhor dos Anéis - Los Hermanos - 89FM Raimundos - The Calling - Hoobastank - Nintendo 64 - Santo André - Fantástico - FHC - LULA.
De modo geral, bem pouco consistente, perigosamente eclético, toscamente vencedor.
Nos vemos.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
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