sábado, 12 de março de 2011

Dois dedos de prosa ou comentários sobre um texto em construção

E-mail, enviado em 10 de Março:

Começando...:

PARTE I

- E os dois terminaram felizes pra sempre!
- É isso? A história para aí? Mãe, é assim que termina? Apenas um "felizes pra sempre"? - perguntou a crinça irritada...

A mãe não entendeu a reação de repúdio do filho. Achava que conseguiria dormir alguns minutos depois que falasse o "felizes pra sempre". Não escondendo a surpresa, e uma certa expressão de que sabia o que deveria fazer, perguntou:

- Você quer realmente saber o verdadeiro final da história?
- Quero!
- Então vamos lá!


(Lu, comente o que você quiser, até mesmo caso você não queria comentar nada. Se você quiser continuar a história, também fique à vontade...)

Grande abraço!

Alê

E-mail resposta, recebido em 10 de Março:

Tá, comentário:
Ri d+, eu fui ler o e-mail pensando: sobre o que será q é o texto, logo na primeira linha comecei a ri, não parei... sei q não era para ser o tipo texto comédia, mas é q depois de td oq nós conversamos...
Mas vamos lá, agora um comentário q possa te ajudar, ou não... a criança ta mesmo é com cara de adolescente desiludida... quando crianças somos induzidas a pensar q o mundo é colorido e perfeito, mas sempre tem um baque em nossas vidas q transforma o mundo colorido em preto e branco, esse baque depende de pessoa pra pessoa, ou de criança pra criança, para alguns é uma tragédia, para outros uma confiança mal dada, para outras é um texto, uma conversa, enfim...depois q o mundo vira preto e branco, o que td ex criança quer fazer, ou pelo menos aqueles q ainda tem alma de criança(se é q vc acredita nessas coisas), é tornar o mundo preto e branco, colorido novamente... tarefa difícil essa...
Vou continuar a h istória não... espero ter te ajudado pelo menos um pouco...

Luiza

Nos vemmos.

segunda-feira, 7 de março de 2011

E se as escolas desfilassem ao contrário?

Era a última integrante da escola. Logo após sua passagem, o portão da dispersão fora fechado. Fim.

Não entendida muito bem toda aquela situação. Ali, do chão da avenida, via muitas pessoas cantando o samba-enredo. Tentava imaginar o que a Glenda Kolowiski falaria, caso fosse comentar sua fantasia: "Chico, trata-se de uma alusão a Zeus, aquele deus grego dos raios..." ...

Antes da entrada da sua ala - a última a entrar na avenida -, deveria ficar por ali, mal ouvindo as batidas da bateria. Caso pudesse, preferiria estar junto com a Sandy no camarote da "Devassa".

Estaria muito atrasada? Do ônibus, já conseguia ver a movimentação do sambódromo, típica dos dias de desfile. Deus tentara estragar o carnval com chuva, com água, e no entanto, estavam todos ali. Brasileiro não desiste nunca, né...

Ainda tremia. Na saída apressada, tomou o cuidado para não esquecer a fantasia. Sua escola desfilaria às 2h da manhã. Olhou no relógio; 23h23min. Postaria no twitter, caso estivesse em casa. Mas não estava. Se o trânsito ajudasse, chegaria a tempo!

Dispara.

O olhar dele parecia de um psicopata. Ainda que ela soubesse que ele estava muito nervoso, sua expressão era sempre a mesma. Ela começou a enumerar nomes: Ricardo, Daniel, Choquito, Vitinho, Saulo... "Fui para cama com todos eles!". "Foi, é?" Que inferno! Aquele homem parecia não ser atingido por nada... Correu até a gaveta embaixo da cama e pegou...

Interfone. Certamente é o porteiro avisando da chegada dele. Logo agora... Estava ansiosa pelo desfile... Droga! Teria que despachá-lo rápido. Queria logo o fim.

Nos vemos.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Resenha



Oi. Pode parecer meio radical de minha parte... impensado, piegas... Mas preciso te dizer que estou irremediavelmente apaixonado por você.

Não é muito prudente perder a fala ou não agir espontaneamente quando estou perto de você, mas o fato é que essas reações - ou não-reações - são absolutamente incontroláveis.

Não foi amor a primeira vista, ou a segunda. Precisei de muitos encontros, de muitas conversas gritadas. Hoje, 20 de fevereiro de 2011, posso afirmar com alguma convicção e transbordando de emoção de que estou apaixonadíssimo. Romanticamente apaixonado. Largaria minha vida, meus discos, meus gibis, meus games, meus livros, meu trabalho. Se preciso fosse, ficaria com bem pouco de mim para ficar com tudo de você.

Não me diga que tudo isso se trata de um sentimento passageiro. Não. Não me apaxonei por conta de um momento no qual lhe vi bonita. Você não estava de maquiagem, ou sorrindo, ou poeticamente chorando. Você estava toda, 100%, fora de si.

Sua banda começou a cantar "Neighborhood #2 (Laïka)", do disco "Funeral", de 2004. A canção, por si só, já é bastante intensa, sobretudo nos vocais! Mas, em certo momento da música, próximo do último refrão, você enlouquece, grita!

Fiquei pensando se você tivesse a mesma reação quando fóssemos a uma sorveteria, ou andar de mãos dadas no parque, ou a um jantar romântico, ou a uma festa de escola. Tá... eu teria muito trabalho para explicar a sua reação para as pessoas normais, mas eu particularmente adoraria essa forma de engolir toda essa mesquinharia de realidade, cuspindo-lhe agudos raivosos! Seria inacreditavedlmente belo ser tragado pela erupção do seu comportamento acertadamente estranho.

Como disse, talvez de uma ocasião dessas, socialmente sobrasse muito pouco de mim, e certamente nada de você. Mas minha existência estaria premiada com a possibilidade de viver algo que fosse genuinamente real.

Régine Chassagne, traga o Arcade Fire para o Brasil neste 2011, e me faça o favor de corresponder ao meu amor.

Nos vemos.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Tô insinuando...

Em 1995, minha mãe dizia:

Ish... Quando eu cheguei aqui com o seu pai, não tinha nada... nem casas direito. Com muito trabalho, construímos esse sobrado. Depois veio outro, e outro, e outro...

Compramos carros, Kombs, carros e carros. Agora olha aí ó... é outra vila já... e nem estamos no centro da cidade, hein... aposto que em 2010 não vai dar nem pra ver o céu direito, de tanto prédio que vão construir aqui... Vão fechar a nossa paisagem. Já cortaram o pé de pitanga que tinha. Agora vão subir dezenas dessas caixas de sapato! Até 2010...

Ainda em 95, com minha cabeça de menino de oito anos, eu poderia dizer - não com essas palavras:

Os carros mover-se-ão levitando, por ação de forças eletromagnéticas. Nas escolas, anotaremos em cadernetas digitais e o professor, se quiser, poderá abrir um mapa da Itália no quadro.

Os prédios, onde todos morarão, serão interligados por elevadores inteligentes. Poderei com o toque de alguns botões, chegar na casa do meu amigo Felipe, da 1ª série. Controlaremos nossas casas por relógios-cumputadores.

Em 95, com a minha cabeça de hoje, escreveria:

Será um futuro Matrix, no qual ver algum raio de sol será um momento epifânico na existência de um indivíduo. A 3ª guerra mundial não destruirá a Terra porque ela será malignamente administrada para que sobrevivamos feito ratos.

Tudo será escuro, e podre, e feio. As pessoas boas não mais quererão se mostrar com medo de se transformarem em pessoas más. Muita fome, doença, intolerância, dor...


Ao final de 2010, contudo, podemos analisar imageticamente o seguinte aspecto, de tudo que foi dito:



Vista do quintal da minha casa, Santo André.

Nos vemos.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Olá, tenho uma amiga muito especial, uma prima, na verdade, que escreve algumas coisas. Gostaria de mostrá-las para vocês... Segue:

Dúvidas do amor
Mariana dos Santos

Amor,
Doce amor,
Azedo amor,
O que é o amor?
Amor, amor...
Amor que passa,
Amor eterno,
Quanto dura o amor?
Amor de sonho,
Amor real,
O amor existe?
Essas são duvidas que ficarão sem resposta,
Duvidas eternas,
Que sempre existirão.

Nos vemos.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Listas - por que não fazê-las?

As múscias mais decisivas do ano de 2010. (Pra mim). Não na ordem.

"A day in the life", Beatles;
"Judy and the dream of horses", Belle & Sebastian;
"I fell it all", Feist;
"I hate seagulls", Kate Nash
"Noise James", Macaco Bong;
"The wold at large", Modest Mouse;
"Idioteque", Radiohead;
"The District Sleeps Alone Tonight", The postal service;
"1901", Phoenix;
"Eternal Sunshine - Peer Pressure / Elephant Parade (Piano)";

É evidente que esqueci músicas e artistas. O que fica escrito, contudo, é uma amostra bastante razoável, menos pela qualidade e mais pela representatividade.

Sugestões?

Nos vemos.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Quase confissões de adolescente ou Página de currículo

"O inimitável", Roberto Carlos 1968. Não ouvi.
Os poemas de Petrarca. Não li.
"And I love her", Beatles 1964. Ouvi.
"Crepúsculo". Li.
"A bela e a fera", brodway. Não assisti.
Show Radiohead, Brasil 2008. Assisti.
Circo da Maramaravilha. Fui.
Curso de inglês Fisk. Fiz.
"Rebolation". Dancei.
Amigos. Fiz.
Discussões. Tive.
Carta de amor. Escrevi.
"Matrix". Assisti.
Black Label. Não tomei.
Formatação de computador. Não fiz.
Aula sobre Álvares de Azevedo. Já dei.
Soneca na rodoviária. Já dormi.
Panetone. Noss... comi.
Triciclo. Tive.
Alergias. Tenho.
Mulheres. Gosto.
Homens. São simpáticos. Alguns.
Roxo. Gosto.

Experiência. Tenho. Não tenho.

Nos vemos.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Amor, amizade e morte – tudo misturado agora!


- Ele foi internado na noite de ontem. Parece que o carro em que ele estava capotou logo depois do segundo pedágio da Bandeirantes, voltando pra São Paulo...

- Mas você sabe se ela gosta de você? Ela já deu alguma pista?

- Faz um tempo que a gente não conversa, né...

- Ah... sei lá... acho que não. Mas é por isso mesmo que eu gosto dela. A beleza dela – em toda sua plenitude – existe naturalmente, sem uma razão prática.

- Faz...! Uns três meses, né...

- Isso é tempo demais dentro de uma vida!

- Mas e como ele está?

- Hahahahaha... para com esse papo, vai... Você já passou da idade de ter amores plantônicos!

- Engraçado... os amores pareciam acontecer mais quando eram apenas – não sei se “apenas” é a melhor palavra – platônicos.

- Mas hoje não funciona mais assim. Há interesse? Sim? Então pronto! Acabou! Vai lá, ficam juntos e ponto final.

- Mas acho que pra gente fica sendo uns três dias no máximo, não?

- Hahahahaha... É verdade! E aí? Comprou finalmente seu play 3?

- ... Eu sinto muitíssimo em dizer que ele faleceu, Alê...

- Mas e as cartas, as músicas, a espera, o ficar sem palavras?

- Guarde essas coisas para escrever um livro...


Nos vemos.
Modest Mouse

Ouvindo o disco This Is a Long Drive for Someone with Nothing to Think About, fiquei realmente impressionado com a sonoridade da banda americana Modest Mouse. Não que eu entenda de produção musical, mas o título do disco me pareceu bastante adequado aos 72 min. (aproximadamente) de melodias “quase” progressivas.

Destaque para as músicas finais: “Tundra/Desert”, “Exist does not exist”, “Talking shit about a pretty sunset”, “Make everyone happy/Mechanical Birds” e “Space traveling is boring”.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Aos alunos, com carinho

Que sono! Agora o banho, a escova, a pasta. O pão, o chocolate, o leite, o panetone, as migalhas desastradamente espalhadas pelo chão. O carro, as ruas, o cachorro, os semáforos, as pessoas, e o sono de novo. A vaga, a portaria, a Jaque, o Paulo, os colegas, os armários. O sinal, o giz, o corredor, as salas, a lousa, o “bom dia de chapéu”. A Literatura, os livros, os escritores, as histórias. Por fim, o grande clímax de tudo isso, dia-após-dia, surpreendetemente inéditos, (pausa) VOCÊS!

Nas últimas semanas, o Brasil parece estar bastante empenhado na luta contra a violência na cidade do Rio de Janeiro. É nosso desejo que tudo se resolva da melhor forma possível por lá. Mas... e depois? Faltará resolver ainda o problema da violência em todos as outras cidades do país, e do mundo, e o problema da saúde, da habitação, da alimentação, da cultura e tantos outros, e tantos outros, e mais outros, e ainda outros que eu nem sei.

E o problema da educação... (pausa)?
Esse eu mesmo resolvo. Todos os dias. O tempo todo. Resolvo com o Tiagão, o L.G., a Ju, o Cadu, o João e com centenas de milhares de outros românticos e utopistas como eu. Esse, seis anos atrás, eu comecei resolvendo junto com a Mi e o Lelê, o Lego, que seguirá resolvendo tantos problemas ou mais que eu.
Felizmente não precisamos de olimpíadas ou copas para que nos mexamos. Vocês, pra mim, já são suficientes. Porque o almoço com vocês é produtivo, a bienal, a peça, as conversas, o show, o humor, o choro, as aulas, o plantão também. A Literatura de vocês, pra mim, já é clássica. O carinho de vocês e a presença, às vezes, e de agora em diante, até mesmo a ausência, já são suficientes.

Vou acordar hoje de novo. E amanhã também, e depois, e depois, e depois... Vou formar seus irmãos, e seus filhos, e seus netos, e seus bisnetos. Vou seguir acordando sempre cedo, e sempre todos os dias. Vou acordar não para garantir que vocês “descasem em paz”, mas para que vocês durmam tranquilos, e também possam acordar - talvez um pouco mais tarde do que eu - com a convicção de que um dia vivamos rodeados por todos os cantos de pessoas boas, exatamente iguais aquelas pessoas para quem eu acordei em todas as minhas manhãs de quarta-feira do ano de 2010!

Queridos alunos, meninos, muito obrigado!

*texto lido em cerimônia de colação dos aluns do terceiro ano de ensino médio do Colégio Fleming - Campinas.

Nos vemos.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Aula de Redação para 6º Ano

Meninos,

a vida é algo muito complexo.
Vão dizer que você deve estudar. Mas não é só estudar.
Vão dizer que você precisa sempre pensar duas vezes antes de agir. Mas às vezes é melhor não pensar. Em outras, nem agir é preciso.
Vão dizer “Não beba”. Mas muitos vão te convidar pra beber.
Vão dizer “eu te amo”. Meses depois nem “oi” pra dizer restará.
Vão dizer “Pense”. Mas vão fazer você não pensar.
Vão fazer você trabalhar, para você também não pensar.
Eles querem que você crie narrativas. Mas ninguém para de verdade pra escutar as suas histórias.
Eles querem que você tenha amigos. Mas você raramente vai vê-los.
Eles querem que você compre... isso nem é preciso dizer, né...
Vão viver você.
Vão fazer você viver.

Nos vemos.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A VERDADE

Depois de anos de busca, andando pelos lugares mais recônditos do mundo, ele havia encontrado, pelas mãos de um indiano aportuguesado o baú no qual se dizia repousar A VERDADE...

Não largou o baú em um só momento na viagem de volta para o Brasil. Carregou-o dentro da sua bolsa de mão.

Agora lá estava ele. No seu quarto, agora sozinho, absolutamente sozinho. Nem cadeado havia para retardar o certo momento epifânico.

Levantou a tampa e, como esperava - aliás, como havia fantasiado sua vida inteira -, A VERDADE estava escrita em uma folha de papel. Não era uma folha especificamente diferente. Nada de aparência de velha, ou feita de um material desconhecido... A VERDADE estava escrita em uma folha de sulfite.

Não prolongou mais. Pegou no papel. Leu, escrito na sua parte exterior: "Abra!".

Após desdobrar o papel, A VERDADE apareceu...:



















"Feche!"

Nos vemos.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Mudança de quarto, mudança de móveis

Se tiro uma cama, fico marcadamente sozinho.
Se coloco uma de casal ou casei ou sou safadamente solteiro.
Ponho lá uma tv e um play 3, transformo-me num anti-social.
Grudo na porta uma placa de "Não perturbe" e irremediavelmente não serei perturbado. Pode ser que eu fique lá até começar a feder.
Se compro um tapete, sou fresco.
Se deixo sem varrer, sou porco.
Colocando meus livros, sou intelectualzinho de merda. Se deixo sem, me chamam de fútil.
Se decoro com fotos dos meus amigos, sou adolescente. Se fico visualmente sozinho, sou o coração gelado.
Se organizo posições, cores e tamanhos, tenho toque. Mantendo minha anarquia, sou muleque desorganizado.
Se entro com mulher, sou machão pegador; com homem, gay; sozinho, dispensável.

Se permaneço indiferente, não mudo. Se mudo, não falo.
Ph, por que você foi mudá?

Nos vemos.

ps: Bob, boa sorte!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Carta para minha namorada da década de 50 (do século XX)

Linda,

hoje eu te vi. Você estava passeando com a sua mãe pelo Jardim Botânico. Estavam você, sua mãe, mais duas moças que eu não conhecia. Você estava tão linda. Nem me fiz reparar. Eu vinha de uma corrida atrás de um papagaio.

Quando cheguei em casa, não consegui fazer outra coisa, senão pensar em você. Esta carta foi a solução que encontrei para não pensar tanto em você à toa.

Você me acha bobo? Se eu, por acaso, usar as próximas todas linhas para enumerar as qualidades que acho em você, você se cansaria de mim? Eu não sei exatamente qual é a medida literária para demonstração do meu amor. Caso você se canse, prefira rasgar a carta a terminá-la enjoada de mim. E, se inevitavelmente você se cansar de mim, não se tranque numa torre pra sempre. Siga com seus passeios matutinos, quando a luz do dia favorece sua beleza pueril; continue olhando a lua para que a noite projete suas sombras de mulher.

Nem sei mais o que fazer sem você. Não sou dado a exageros românticos, mas também nem ligo para as afetações do meu romantismo, se o fim primeiro e último é saturar meu sentimento insaturável (existe essa palavra?) por você.

Outro dia, o professor de artes propôs que desenhássemos uma rosa. Eu tinha duas folhas. Gastei a primeira escrevendo acidentalmente seu nome 1437 vezes. Na segunda, não consegui desenhar nada até o final da aula. Voltei pra casa com uma terceira folha; a da advertência dada pelo professor. No verso dessa, finalmente consegui desenhar algo; desenhei seu rosto.

Espero que quando você de ler esta carta, fique pensando em mim por muito tempo. Melhor: perca a noção do tempo. Até de mim já me perdi, pensando em você...

Espero que possamos conversar amanhã. Não que eu tenha muito o que falar. Mas é sempre bom te ouvir.

Um beijo carinhoso, do seu namorado.



O remetente dessa carta nunca chegou a entregá-la. Na verdade, ela nunca sequer existiu. Seu primeiro registro é este, que é virtual e portanto não existe.

Mesmo se a carta tivesse existido, nunca teria sido entregue. O autor dela certamente nunca teria nem conhecido a destinatária. Seria um amor, desses platônicos, para os quais se escrevem cartas que nunca se enviam...

Nos vemos.

ps: post motivado pelo filme "A felicidade suprema" (2010), de Arnaldo Jabor.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

AGENDA DO FERIADÃO:

SÁBADO (30.10):
Micareta em Caconde! No cardápio, Chiclete, Ivete, Margarete. Participação especial.: Vitor e Leo.

DOMINGO (31.10):
Balada de Haloween em Campinas! Open Bar, DJs tops. Justifique seu voto na balada!

Segunda (01.11):
Para esfriar a cabeça, cineminha!!! Uma bela comédia romântica para aumentar as taxas diabéticas...!

Terça (02.11):
Ler, ler, ler! Dan Brown, Saga Crepúsculo, Paulo Coelho!


"Criminterrupção significa a capacidade de estacar, como por instinto, no limiar de todo pensamento perigoso. O conceito inclui a capacidade de não entender analogias, de deixar de perceber erros lógicos, de compreender mal os argumentos mais simples, caso sejam antagônicos ao Socing, e de sentir-se entediado ou incomodado por toda sequência de raciocínio capaz de enveredar por um rumo herético. Em suma, criminterrupção significa BURRICE PROTETORA".

(Fragmento do livro 1984, de George Orwell)


Não estou propondo uma intelectualização do tempo livre apenas como articulação de uma imagem de ser superior. Estou marcando a necessidade de que tenhamos os olhos abertos!

Nos vemos.

domingo, 31 de outubro de 2010

IDENTIDADE: PARTE I (dos 10 aos 20)

Futebol - Jovem Guarda - Fernanda Porto - Harry Potter - Biquini Cavadão - Titãs - Paralamas - Skank - Circuladô de Fulô - Senhor dos Anéis - Los Hermanos - 89FM Raimundos - The Calling - Hoobastank - Nintendo 64 - Santo André - Fantástico - FHC - LULA.

De modo geral, bem pouco consistente, perigosamente eclético, toscamente vencedor.

Nos vemos.

domingo, 24 de outubro de 2010

Estão todos convidados



Os alunos Colégio Renovação, Unidade Indaiatuba, promoverão na próxima quarta-feira, dia 27, a 1ª MOSTRA LITERÁRIA da cidade. As turmas organizaram intervenções artísticas partindo da leitura de obras clássicas da Literatura, como Peter Pan, Mágico de Oz, ou Alice nos país das maravilhas.

As apresentações terão início às 19h30min., e prometem surpreender a plateia num misto de deslumbramento estético e interatividade.

Embora os alunos estejam muito ansiosos, não tenho dúvidas de que será um belo espetáculo. Já está sendo...



Nos vemos.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

UMA REVOLUÇÃO

- Então é isso? Acabou?
- Por tudo que conversamos até agora, acho que sim...

Fechou a porta e saiu. Ainda foi possível ouvir a porta do elevador se abrindo. Fiquei na posição da qual havia dito as últimas palavras.

- Então é isso? Acabou?

A impressão que tinha era que se permanecesse parado, conseguiria materializar a minha raiva. Levantei-me, espalmando com força as duas mãos no sofá. Queria ser ouvido, embora não houvesse ninguém no apartamento.

Andei impaciente pela sala. Quando me convenci de que meu sofrimento não seria notado, fiquei com mais raiva ainda. Pensei em entrar no msn, para banalizar minha história na tela de algum desocupado. Desisti. Precisava de algo grande. Maior. Uma revolução!

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Liguei o aparelho de som da sala. Nem escutava a música. Queria apenas o barulho. Aumentei o volume o máximo possível. O relógio marcava 17h34min. Fui até meu quarto. Quase tropecei nos três pares de calçados largados na porta. Liguei o som de lá também.

Liguei as músicas do celular. Pluguei o mp3 em umas caixinhas de som de computador. Coloquei o pc no volume máximo. Soquei dezenas de peças de roupa na máquina de lavar. Sete bananas no liquidificador. Taquei todos os talheres no chão.

Não queria que meu sofrimento fosse sustentável.

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Comecei a gritar. Queria que minha garganta arrebentasse de dor por conta da potência do grito. Não era o suficiente...

Desci pelas escadas do prédio ligando todos os interruptores. Disparei a sirene de três andares. Na portaria, mandei o Seu José tomar no cu.

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Lá fora, ainda era dia... as buzinas dos carros faziam meu prédio parecer em completo silêncio...

A revolução fora abafada.

Nos vemos.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010



"MÚSICA P/ CORTAR OS PULSOS"

Não esperava ser recebido pelo Marcos de “Tudo que é sólido pode derreter”. Ao final da peça, percebi que havia me enganado. Não era o Marcos mesmo, nem o Victor, era o Ricardo! Também pensei ter visto a Theresa. Outro engano: sempre foi a Isabela; em alguns momentos, certamente era a Mayara. Ainda havia o Felipe. Prazer em conhecê-lo! Prazer em conhecê-los!

Sai do Sesc na noite fria do domingo absolutamente preenchido, e inspirado. “Música p/ cortar os pulsos” levou ao palco tudo aquilo que subjetivamente mais conta na vida das pessoas: música, divagações sobre sentimentos, “palavras”, “sentimentos”,” gestos” etc. Tudo construído pela honestíssima atuação de três jovens talentosos atores. Não que eu disponha de mecanismos técnicos para avaliá-los. Falo pela completa emoção que me causaram ao longo de todas as dez cenas da peça. Como disse, fui para ver a Theresa e o Marcos; acabei encontrando outras pessoas, com quem sinceramente gostaria de tomar um café para ficar fazendo perguntas aleatórias apenas pelo prazer de ouvir suas respostas.

O cenário e as luzes também me impressionaram demais. Foi delicioso ser surpreendido várias vezes pelo curioso jogo de luzes que nos remetia para os pensamentos, as sensações e as lembranças das personagens.

Ao final do espetáculo, fiquei muito contente em fazer parte de uma platéia que reconheceu a beleza do que havíamos presenciado. As palmas alongadas eram o mínimo que poderíamos dar.

SESC PINHEIROS
07 A 17 DE OUTUBRO
SITE: http://musicaparacortarospulsos.blogspot.com/


Nos vemos.

sábado, 9 de outubro de 2010

O VELHO E O MAR

Não gosto muito de livros que se pretendam uma ajuda para seres humanos emocionalmente desesperados.

Os "auto-ajuda" me perdem como leitor exatamente por conta de seu objetivo principal. Ora, se estou emotivamente me estraçalhando, deixem-me sozinho. Fiquem os livros longe de mim, e o cinema, e a música - até a música, por que não? - e principalmente as pessoas.

Hemingway, com o pescador Santiago, protagonista desta obra de 1952, parece ter caminhado conscientemente próximo do gênero auto-ajuda. Santiago, contudo, não se dirige ao leitor. Segue sua luta constante, interminável, contra o peixe de que precisava e que amava ao mesmo tempo. Os mais de 500 kg de peixe pescado não serviriam apenas como produto vendido e transformado em dinheiro, o qual poderia ser usado por três ou quatro meses. O peixe era um animal que evidenciava seus traços de humano.

Santiago não olhou para mim. Por isso, ignorou qualquer tipo de conflito pequeno-burguês que por ventura minha existência cotidiana durante a leitura pudesse conter. O pescador seguiu tentando abater o peixe, depois protegendo-o dos tubarões - ainda que sem sucesso. Não encontrei no livro qualquer vestígio de acolhimento ou mensagem. Apenas a persistência maquinalmente humana do velho Santiago.

Ainda bem. Assim posso voltar ao livro sem medo.

Nos vemos.

sábado, 2 de outubro de 2010

Eleições de Domingo

Encontrei com um senhorzinho. Tentei meu primeiro emprego na firma dele aos 14 anos. Ele negou, justificando que eu não tinha o perfil do mecatrônico. Na época, não gostei muito, mas hoje até que faz sentido, né... Ele me disse algumas palavras sábias escolhidas ao longo dos seus 71 anos de idade. Segundo ele, todos os dias à noite ele senta para estudar, ler, aprofundar-se na sua área de trabalho...

A: Por que, seu Ferrari?
S.F.: A vida é trabalho, sempre e pra sempre. Se todos os brasileiros estudassem um pouquinho todo dia, hoje, as eleições de domingo não seriam um problema. Esse país é naturalmente rico. Somos nós, os brasileiros, que o empobrecemos...
A: (pensando)...
S.F.: Quer tomar uma latinha de cerveja?

O apelido dele é Amarelinho. Ele estava conprando uns tomates para o jantar com a mãe. Às 19h, entraria na metalúrgica aqui perto de casa para trabalhar. Eu costumava jogar nintendo 64 futebol com ele.

A: 15 anos de firma, Amarelo?
Amarelinho: É... por aí. Com a crise, ela pediu concordata... mas agora parece que vai... nunca vi tanto trabalho por lá!!!
A: Será que é o Lula?
Amarelinho: Ah, é!!! Domingo é Dilma pra continuar com isso! E você?
A: (pensando) ...

Fui alugar uns filmes. Fui atendido pelo próprio dono da locadora.

Dono da locadora: Você quer algum título específico?
A: Olá! Filmes sobre 2ª guerra...
Dono da locadora: Leva esses aqui! Você já viu vídeos dos festivais no youtube?
A: Alguns...
Dono da locadora: Já viu o Geraldo Vandré? E "Roda Vida" do Chico?
A: Esses, não...
Dono da locadora: Vai lá... digita lá... "'Disparada', Jair Rodrigues", "'Cálice censurado'"... Depois você fala o que achou...
A: Beleza! E os dois filmes? Quando eu devolvo?
Dono da locadora: Vou colocar para o próximo sábado...
A: Hahaha... tá bom!

Nos vemos.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Os meninos da rua Paulo

"As duas sentinelas perfilaram-se de lança erguida. Todos os demais juntaram os calcanhares e perfilaram-se também. Ninhuém falou. O luar fez brilhar as pontas prateadas das lanças. Só os passos de Memecsek ressoavam na ponte, cada vez mais surdos, à medida que se afastava. Depois, nem isto se ouvia mais: só um patinhar, como quando alguém caminha com os sapatos cheios de água... Nemecsek desapareceu".

Nas cinco horas de ônibus entre Campinas e São José do Rio Preto, nesse último domingo, li todas as páginas deste clássico de Ferenc Molnár. Minha experiência com a leitura foi sensacional. Já há um certo tempo estava desencantado com a literatura infanto-juvenil, por achá-la muito banal.

Para as crianças e adolescentes, na minha cabeça, restavam apenas os grandes autores: Monteiro Lobato, Robert Stencenson, Mark Twain e mais alguns poucos. Toda a produção contemporânea está escrita para um público que está muito longe das crianças e adolescentes que vejo nas salas de aula. Thomas Brezina surpreendentemente ainda acha que seus livros despertam algum interesse por uma geração que lê e relê as milhares de páginas da série "Crespúsculo".

Esse descompasso não se restringe apenas à literatura. Poderíamos extrapolá-lo para as relações entre pais e filhos também...

"Os meninos da rua Paulo", contudo, parece afirmar a existência de narrativas completamente ajustadas ao imaginário caótico do mundo adolescente. Nesta instigante narrativa, dois grupos inimigos disputam a soberania de terranos baldios. No lugar de simpllificações de caracteres ou cenários infaltimente pensados, o que há, no romance de Molnár, é a elaboração de uma narrativa que preserva a ética das relações humanas, mesmo na "guerra" ou no caos de uma sociedade que prioriza o ter ao ser.

Como disse uma das mais ilustres leitoras que conheço - e que, por sinal, me indicou a leitura do livro -, sentimos um aperto extremo quando o livro encaminha-se para o final, uma vez que a estada naquela Hungria descrita na obra mantém a convicção de um mundo pautado por combinados humanamente honrados.

Não é literatura feita para crianças, como a maior parte da produção contemporânea. Nem mesmo é uma produção contemporânea, uma vez que foi publicada em 1907. Mas certamente elas - as crianças, e também os adolescentes, e também os chatos dos adultos, e todos, e rápido... - devem lê-la, com uma certeza de que não se arrependerão...

Nos vemos.

sábado, 18 de setembro de 2010

Vou escrever um livro. E o nome do livro não será “Patópolis”. Vai ser outro. Há de ter outro nome. Não vai ser um livro para criança. Vou querer lê-lo. Vou rasgá-lo quando achar que minha leitura não foi boa.

Vou escrever um livro. Não. Vou. Escrever? “Um”. Livro. De criança. Com criança. Como criança.

Vou escrever um livro. De versos prosaicos, e prosados. Um livro promovido, previsível.

Vou escrever Patópolis. Sem patos.

Vou. Não vou.

Nos vemos.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Olhai os lírios do campo

Que livro... Demorei bem pouco para me sentir completamente tragado para as reminiscências de Eugênio. Pouco também foi o tempo para achá-lo irritantemente mesquinho, pequeno, humanamente banal.

Achei Eunice um poço de futilidade. Isabel sem propósito. Cintra, um crápula. Passei as primeiras 148 páginas do livro criando um dispositivo prático para repudiar a todos esses mencionados.

É evidente que lendo sobre o pior de cada um acabei encontrando o pior de mim também... Tal descoberta não foi ma novidade. A sua afirmação, contudo, sempre é muito dolorosa...

Olívia era uma espécie de contraponto. Eu sabia que todas aquelas personagens foram feitas da materialização do mal, do desnecessário, Mesmo elas, contudo, encontrariam redenção nos diálogos com Olívia. Ao longo da narrativa, apoiava-me em Olívia para construir uma outra narrativa para minha vida. No entanto, Érico Veríssimo preferiu arrancá-la de Eugênio, e de mim, e de nós.

A irmã Isolda sentenciou:

“A Drª. Olívia morreu ao anoitecer, na santa paz do senhor. O corpo está sendo celado na capela”.

Não.....................................................................................

A segunda parte do livro ainda está para começar. Como viverei sem a Olívia? De que forma alguém tão sem importância como o Eu – gênio pode bastar para sustentar 100 páginas de narrativa?

Nos vemos.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Patópolis

Há dois meses, mais ou menos, alimentava a intenção de escrever um livro cujo título fosse Patópolis. A ideia havia nascido dos recreios e almoços que pass0, às quintas e sextas-feiras, na companhia de duas aluninhas de um sétimo ano.

Nosso livro contaria a história de uma cidade fantástica, chamada Patópolis, onde haveria, entre outras coisas, bandejas dançantes.

Na última sexta-feira, contudo, - que A Gabi e a Paulita demorem a saber -, entrando na livraria Cultura do shopping Iguatemí, em Campinas, esbarro em um livro do Marcelo Coelho, com o mesmo título em que havíamos pensado...

Aí já demais...! Não se pode nem mais ter ideias criativas... toda a criatividade do mundo já está repetida...

Acharemos um outro título. Menos criativo, mas, na medidade do possível, inédito...

Nos vemos.

domingo, 29 de agosto de 2010

No banheiro

“Duas folhas de papel não limpam de verdade a mão, né?”
“Não”. – esforçando-se por fingir um sorriso.
“Eu não consegui ficar lá fora. O ambiente, as pessoas... Ainda não estou preparado para consolar alguém. Talvez eu ainda precise ser consolado.”
“...”

Os dois permaneceram ali, no banheiro, ao lado das salas de velório. Roberto não conseguia segurar as lágrimas. Augusto não conseguia chorar. A dor era a mesma. Apenas a intensidade era diferente.

“Vai passar?”
“Não. Não vai passar”
“E aí?”
“...” – as lágrimas não desciam. Augusto queria se mostrar mais humano.
“...”
“Não sei. A única coisa que de fato acontece é que você percebe o quanto ainda não viveu.”

Um senhor entrou batendo a porta do banheiro. Dirigiu-se a uma cabine. Ouviu-se o barulho da sinta, seguido do som contínuo da urina caindo na água da privada.

“Falou.”
“Vou ficar por aqui” – disse Roberto –“, esperando secar minha mão naturalmente”.

Nos vemos.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

De verdade, obrigado!

http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=103396380

Nos vemos.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Dá muito trabalho fazer tudo certinho... não errar. Profissão, família, faculdade, banco, quarto etc. E o fim de toda retidão pode ser o início de mais uma grande reta na qual deveremos correr sem cometer erros novamente.

É muita tensão. Acho que a literatura deve entrar ai. Ela são as curvas... as desorientações, os desconsertos. Sem ela, muito provavelmente, a sensibilidade secaria. Só a Literatura - a Arte - permite que entendamos as complexidades de ser humano, do ser humano.

Falando em arte, nos próximos dias 14 e 15, no HSBC BRASIL, Adriana Calcanhoto apresentará seu segundo show para crianças. Estou bastante ansioso por isso. Embora tenha subtraído pelo menos três lugares, que poderiam ser de outras três crianças - alê bad - acho que vou conseguir sair do show com potencialidade suficiente para multiplicar as sensações que ele vai me causar...

Quando voltar, na segunda-feira, volto pra reta. Mas durante o show, não, né...



Nos vemos.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Importante!

Um grande amigo meu está em processo de tratamento de um tumor. Suas experiências, bem como dificuldades - de qualquer ordem - estão sendo descritas em um blog. A intenção é que as pessoas possam ter notícias sobre o estado de saúde dele e também um lugar onde possam buscar informações menos técnicas.

O link do blog é o que segue:

http://experienciatrocada.blogspot.com/

Nos vemos.

sábado, 24 de julho de 2010

FIM DE FÉRIAS

É oficial! Estou nos minutos de prorrogação das férias...

Ficam mais cinco boas sugestões de filmes:

- "DIAMANTE DE SANGUE" (2006), DIR.: EDWARD ZWICK
- "MATCH POINT" (2005), DIR.: WOODY ALLEN
- "MENINA DE OURO" (2004), DIR.: CLINT EASTWOOD
- "EM BUSCA DA TERRA DO NUNCA" (2004), DIR.:MARC FOSTER
- "ÚLTIMO TANGO EM PARIS" (1972), DIR.: BERNARDO BERTOLUCCI

Haveria comentários sobre cada um desses filmes, mas acho que vocês poderiam fazer isso melhor do que eu. De minha parte, encerro por aqui...

Nos vemos.

quinta-feira, 22 de julho de 2010



Já há algum tempo tenho tentado entender os efeitos da literatura em mim. Ao final da releitura desse intrigante - desculpem-me a incompetência por não achar os adjetivos mais precisos; vocês hão de convir que não é uma tarefa muito fácil para a obra de Franz Kafka - romance, talvez eu já consiga arriscar algumas descrições.

Como não deve ter sido muito difícil imaginar, na semana passada, quando assisti a "Invictus", fiquei muitíssimo emocionado. Todos os questionamentos que aquela obra me provocou foram resolvidos numa descarga excepcionalmente forte de emoção.

Mas e agora? Agora que termino a leitura de um dos livros mais importantes da história da literatura? Minha resposta, ainda que apressada e sem o devido afastamento das paixões humanas: isso que estou sentindo vai me influenciar por dias a fio, talvez por meses...

Josef K. precisava ser processado por um tribunal imaginário para ter a sua autoconsciência despertada. Seus 365 dias de processo revelaram nele e pra ele uma profundidade psicológica, provocadora de auto-constestações - que nem uma vida inteira de análise ou reconhecimento social lhe dariam.

Os quase-casos amorosos que teve ao longo da narrativa, bem como as figuras intrigantes que encontrou com o objetivo de ver o seu caso resolvido, livraram-no dos procedimentos padrões que temos para a viver a vida e colocaram na sua frente o desafio paralisador que é o mergulho no seu prórpio "Eu".

Na medida do possível, tentei manter a postura de um leitor analítico, mais preocupado com o entendimento do que com as sensações. No capítulo nono, contudo, quando K. adentra a catedral, fui tomado de assalto por uma suspensão grave.

Tornei-me Josef K., preocupado em analisar momentos estratégicos de minha vida em que busquei por soluções aparentes para meus conflitos existenciais. Não é difícil imaginar que li e reli a história contada pelo sacerdote tentando encontrar em alguma brecha do simbólico a resposta para - como diria Douglas Adams - a vida, o universo e tudo o mais... Não achei.

Estou tão sem conclusões, como ainda permanecem os manuscritos de Kafka, e, honestamente, por conta das ausências de descargas emotivas - tão comuns ao univeso do cinema - devo continuar assim por um bom tempo...

Nos vemos.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Notícias...

Alexandre: conta aqui pra gente: o que você fez nessas férias?
Alexandre: Olha... diferentemente de outras férias, nas quais eu me programava para uma viagem ou organizava várias atividades, essas eu não planejei nada. Fui como elas foram...

Alexandre: Você fez algo de especial?
Alexandre: Sim! Quase tudo foi especial! Mesmo sem os planos - evidentemente prévios -, acabei indo a dois lindíssimos casamentos de pessoas abençoadas, passei um final de semana em uma chácara incrível e fiquei largadamente na minha casa...! Acho que as férias não poderiam ter sido melhores...

Alexandre: E o que você está fazendo agora?
Alexandre: Falando com você... hahahaha... tô brincando... Ah... tô na pré-temporada para volta ao trabalho.

Alexandre: Que chato...
alexandre: Nem, não... acho ótimo. No meu caso, a volta ao trabalho coincide com a volta às aulas. Meu trabalho de preparação consiste em estar ainda mais perto do Machado, do Kafka, do Graciliano e companhia limitada...

Alexandre: Que chato...
Alexandre: É... não vou discutir com você. Cada um o seu quadrado, né...

Nos vemos.

terça-feira, 13 de julho de 2010

UP - ALTAS AVENTURAS

Eu acho que estamos numa nova era das animações. Não adianta colocar uns animais falando, algumas músicas e um vilão pseudo-assustador. As animações precisam ser tão reais quanto nós somos - pelo menos quando simulam o subjetivo humano.

Este filme faz isso, com bastante precisão!



Nos vemos.
INVICTUS

Assisti à final da copa do mundo! Não foi a final da copa do mundo de futebol, de 2010, entre Espanha e Holanda... Foi a final da copa de Rugby, entre África do Sul e Nova Zelândia, de 1995.

Talvez tenha sido entre todas as finais de todos os esportes a que eu já assisti, a melhor!

Que conste aqui o meu muito obrigado a Clint Eastwood e a toda sua equipe por cada um dos segundos das mais de duas horas de filme!



Nos vemos.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Os intocáveis



Lindo! O filme é cirurgicamente perfeito. Sean Connery oferece-nos algo que milhares não conseguiram nos dar nessa copa: uma personagem de quem gostar!

E, embora seja difícil que vocês acreditem em mim, não planejei apenas filmes de máfia. Eles estão vindo por um arranjo cósmico. Alguns filmes escolho de uma lista pessoal e todos os outros ou são referências de jornais ou revistas ou são indicações do simpático senhor que administra a locadora onde alugo.

De toda forma, caso eu venha me tornar íntimo dele, já sei o que dar de presente de aniverário...

Nos vemos.

ps: o próximo será "Os bons companheiros"... mais máfia!!!!
Os embalos de sábado à noite não animaram muito a minha quarta



Depois de rever John Travolta em Pulp Fiction, fiquei com muita vontade de vê-lo dançando de verdade. Recorri a um filme que nunca havia visto e sempre é citado como um clássico de uma geração.

O filme, contudo, depois de suas duas horas de duração, me pareceu horrível...
Perdoem-me, os entendidos, a minha vivão anacrônica. Mas mesmo com as dezenas de passo de Travolta a ausência de um bom enredo torna o filme uma verdadeira chatice...

Nos vemos.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Amaro, de resolução feita, envia o seguinte bihete ao Cônego Dias, seu cúmplice cotidiano.

"Meu caro padre-mestre. - Treme-me a mão ao escrever estas linhas. A infeliz morreu. Eu não posso, bem vê, e vou-me embora, porque, se aqui ficasse, estalava-me o coração. Sua excelentíssima irmã lá estará tratando do enterro... Eu, como compreende, não posso. Muito lhe agradeço tudo... Até um dia, se Deus quiser que nos tornemos a ver. Por mim conto ir para longe, para alguma pobre paróquia de pastores, acabar meus dias nas lágrimas, na meditação e na penitência. Console como puder a desgraçada mãe. Nunca me esquecerei do que lhe devo, enquanto tiver um sopro de vida. E adeus, que nem sei onde tenho a caebça. - Seu amigo do C. - Amaro Vieira."
"P.S." - A criança morreu também, já se enterrou".
[O crime do padre amaro, Eça de Queirós]


A TV não para de noticiar. O goleiro Bruno e o Padre Amaro acabam de ser levados à delegacia de homicídios.

Nos vemos.
Não é possível!

Acho que ninguém consteta Al Pacino. Se tivesse feito apenas a trilogia The Godfather, já estaria absolutamente garantido entre os grandes da história do cinema.

Ninguém questiona férias também.

Peguei Scarface para ver, como parte do projeto férias clássicas... No meio do fime, mais precisamente com 1h24min33s, o DVD enroscou. Não é possível!



Pior: o filme é tão bom que eu estava disposto a terminar de assisti-lo, mesmo se o jogo entre Alemanha e Espanha começasse...

Bem... esperemos eu conseguir uma outra cópia do filme...

Nos vemos.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Ninguém descobre a pólvora

Estava ouvindo hoje a cantora Kate Nash. Há um tempo, conheci o trabalho dessa cantora inglesa, recomendada por um amigo muito sensível ao som dessas novas e promissoras mocinhas do indie rock. Seu álbum de estreia, "Made of bricks", de 2007, é muito bom!

Hoje, ouvindo um outro disco, "My best friend is you", achei, de verdade, por um bom par de horas, que estava descobrindo ali músicas que talvez a crítica não tivesse dado a devida atenção. São várias boas canções que me faziam perguntar-me por que não ainda não tinha tomado essa mulher como top of mind neste início de século. E pior: achei que fosse um disco há muito lançado e mal ouvido por aí...

Numa consulta rápida, dessas usuais, de google mesmo, veio a descoberta. Estava ouvindo o novo CD dela, recentíssimo. Seu segundo, bom, grande cd. Escutemos! Não é a pólvora definitivamente...



Nos vemos.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

PULP FICTION

Tarantino.



Não termine o filme dizendo "Perdi meu tempo...!"

Nos vemos.

domingo, 4 de julho de 2010

O GRANDE TRUQUE

Não, nem... vou precisar assistir ao filme outras duas ou três vezes. Não para buscar uma compreensão mais aprofundada, mas para que eu me torne um enganado melhor. Para que os fingimentos me caiam mais naturalmente...



Nos vemos.

sábado, 3 de julho de 2010

THIS TIME FOR AFRICA



Daqui a pouco a Copa da África vai acabar. Aí, para nós, ocidentais, esqueceremos daquele - desse... deste (?) - continente. Restarão apenas "Os cus de Judas", "Hotel Ruanda" etc.

Precisamos estar focados nessa séria questão. Isso é um grave problema que estou tentando resolver... peraí... deixa eu ver os gols da Alemanha!!!!!!!

Nos vemos.

sábado, 26 de dezembro de 2009

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Um texto quase clichê

Não consigo pensar em nada que não seja clichê para escrever. A rotina faz da gente pessoas absolutamente banais. Se eu não estivesse tão entregue a ela, talvez conseguisse escrever coisas mais interessantes. Para evitar maiores problemas, portanto, não vou escrever texto nenhum. Evito o clichê e consigo, quem sabe, até ser surpreendente.

Não.

Nos vemos.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Uma insônia que faz sonhar

Já fui pra cama meio tarde; acho que às duas. Como chegasse duas e meia e eu ainda não conseguia dormir, tomado por não sei que natureza de ansiedade, resolvi acordar - ainda que não tenha dormido.

Na sala, havia uma porção-parte de uma biblioteca que não era exatamente minha. Na verdade, os livros são de uma amiga minha, em intercâmbio em Buenos Aires neste momento.

Na tarde do dia anterior, havia visto, de relance, entre aqueles vários títulos de literatura, sociologia, política e variados - nem me perguntem sobre estes "variados" - um livro: "Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres". Naquelas alturas da madrugada, não fiz escala em nenhum lugar da casa, fui direto ao livro. Por quê? Pura curiosidade... Já estava bastante impressionado por um episódio, de um seriado da TV Cultura, cujo tema central partia do enredo do livro.



Agora ali, sem sono, completamente refém da vontade de tomar um livro, o livro, nas mãos, comecei a leitura. Não pensei sobre os compromissos do dia seguinte, hoje, nem sobre as leituras que me eram prioritárias. Mergulhei.

E tal qual a Thereza, do seriado, encantei-me pela personagem central da trama, a Lóri, do livro, e também pela Thereza, do seriado, e pelas descobertas da Lóri, do livro, pelas descobertas da Thereza, do seriado, e pelas minhas próprias sensações, de mim, da vida real, na madrugada, lendo, sem a preocupação sobre o tempo,.



Agora, revendo o episódio, do seriado, e pensando nas sensações, no momento da leitura, do livro, peguei-me completamente, de novo, encantado.

Nos vemos.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

DIÁRIO DE LEITURA II: O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO

O ORIGINAL, A TRADUÇÃO

Neste semestre que insiste em não começar, o Prof. Dr. Eric Mitchell, do departamento de teoria literária da UNICAMP, dedicará um tempo do curso que oferecerá para estudar a obra de Salinger.

Veja a ementa do curso:

TL509-A - Tópico em Literatura em Língua Inglesa
Teoria Literária - Diurno - 2o semestre de 2009

Descrição: Ao longo do semestre, pretendo examinar obras lidas principalmente por adolescentes americanos do sexo masculino na segunda metade do século 20.

NOTA BENE: A carga de leitura é alta, mas não será difícil se sua leitura em língua inglesa for fluente: um livro a cada duas semanas. A avaliação depende do ensaio que o aluno escreverá sobre cada obra. É vedada a leitura de traduções, que será vista como equivalente a uma cola. (Aliás, é interessante que os alunos que pretendem matricular-se na disciplina comecem a ler os romances durante as férias.)

Programa:

07 de agosto: Introdução

14 e 21 de agosto: Catcher in the Rye


A tradução que tenho em mãos veio a público em 1963, e de responsabilidade de três ex-diplomatas: Álvaro Alencar, Antônio ROcha e Jório Dauster. O professor Eric, contudo, não ficaria nada feliz em saber do meu livro. Tudo bem... não farei este curso. Mas fica o alerta: o mais cedo possível, deveria procurar pelo The catcher in the rye até para comparar com o meu O apanhador...

Nos vemos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

DIÁRIO DE LEITURA II - O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO

BUSCA PELO LIVRO

Nem me cansei procurando o livro nas livrarias. Estava decidido a ler o exemplar de algum sebo ou, na pior das hipóteses, iria emprestá-lo em alguma biblioteca pública...

Começamos a busca – minha mãe e eu - em Santo André. Um, dois, três... nada... no sebo em que sempre acho meus livros, encontrei apenas o registro de um Salinger no sistema. No entanto, as atendentes não encontraram o livro. Outro sebo, na avenida Perimetral... decepção. Passei em frente a uma Saraiva, no comércio popular da cidade. Entrei para ver apenas o preço. Caso estivesse acessível... desisti. Lembrei um outro sebo, ali nas proximidades das ruas do centro. Perdi tempo.

Segui para São Bernardo. Lá eu não conhecia muitos sebos, mas precisava apenas de um que contivesse aquilo que eu queria. Num sábado à tarde, isso não deveria ser um Santo Graal...

Primeiro, segundo, terceiro... não estou com sorte. E o que mais me incomodava, apesar de eu saber que era uma casmurrice minha, era que os atendentes pareciam nem ligar para as minhas aflições.

- (...) O apanhador no campo de centeio?
- Não tem.
- Nenhum? – como ele sabe se nem levantou para procurar, consultar no sistema etc.
- Não.
- Obrigado...

Na última loja, já perto das quatro da tarde, entrei, perguntando pelo livro sem um pingo de esperança.

- Olá, boa tarde. Estou procurando por um livro... – não, não, não era um livro... ali no sebo deveria ser bisteca de porco ou tamiflu - O apanhador no campo de centeio?

O senhor atendente foi o mais prestativo possível. Mas eu já estava irritado e comecei a achar até a simpatia dele meio desnecessária.

- Só um momento, por favor...

Um minuto, dois, três, quatro...

- Hum...

Cinco, seis... É não tem.

- Temos. Não aqui. Na minha outra loja, tenho quase certeza que o senhor vai achar. Ela já fechou, mas fique com o nosso cartãozinho e, na segunda-feira, bem cedinho, dá uma ligadinha pra gente.

Clarozinho!

- Claro! – que saco! Na segunda? E até lá eu faço o quê? Vejo Faustão? – Ligo sim! Já pode até deixar reservado...
- 90% de que temos o livro – 10% completamente alinhados com a lei de Murphy de que não tem...
- Tudo bem então... muito obrigado! – este agradecimento foi completamente sincero, afinal, o senhor se esforçou bastante para achar o meu livro.

Na segunda, liguei. Eles de fato tinham. E, para começar bem a semana, a outra loja a qual o senhor se referiu, e onde eu deveria ir buscar o livro, eu já havia visitado no sábado...



Hora de começar a leitura!

OBS: Para aquele que não querem se entregar a cruzadas tão incertas...:



http://www.4shared.com/

Nos vemos.

terça-feira, 14 de julho de 2009

domingo, 12 de julho de 2009

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Literatura policial nas férias

Talvez eu tenha sido um tanto simplista no título do post. Não se trata apenas de literatura policial, mas sim de a literatura policial. Terminei há pouco a leitura de O cão dos Baskerville, de Conan Doyle. Não posso esconder algumas frustrações quanto ao ritmo da narrativa, mas em geral, fazendo um balanço dos aspectos negativos e dos positivos, minha conclusão é de que se trata de um texto muitíssimo bom, eficiente no gênero e nas expectativas no qual se origina!

Vejam esse trecho:

Havia um patear fraco, vivo e contínuo vindo de alguma parte no
âmago da barreira que se arrastava. A nuvem estava a quarenta metros de
onde estávamos, e nós olhamos fixamente para ela, todos três, incertos do
horror que estava prestes a irromper do meio dela. Eu estava junto ao
cotovelo de Holmes, e olhei por um instante para o seu rosto. Ele estava
pálido e exultante, com os olhos brilhando vivamente ao luar. Mas de
repente eles se fixaram em frente num olhar rígido e fixo, e seus lábios
partiram-se, estupefatos. No mesmo instante Lestrade soltou um grito de
terror e lançou-se de bruços no chão. Eu saltei de pé, com minha mão
inerte agarrada à pistola, minha mente paralisada pela aparição horrível que
havia saltado sobre nós das sombras da cerração. Era um cão, um cão
enorme, negro como o carvão, mas não um cão que olhos mortais jamais
tivessem visto. Jorrava fogo de sua boca, seus olhos brilhavam, seu
focinho, pêlos do pescoço e papada estavam delineados em chamas
bruxuleantes. Nunca no sonho delirante de um cérebro em desordem podia
ser concebido nada mais selvagem, mais aterrador, mais infernal do que o
vulto escuro e a aparência selvagem que irrompeu sobre nós do muro de
cerração.


Não esqueçamos também do filme de Sherlock Holmes, previsto para estrear em janeiro do próximo ano Brasil!

http://www.youtube.com/watch?v=QUQbmFAE5WI

Nos vemos.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A sensibilidade dos capitães



Terminei minha segunda leitura de Jorge Amado. O saldo final é positivo. O escritor consegue colorir com bastante sensibilidade a vida dos meninos de rua da Bahia - com toda certeza, não só da Bahia. Acho que alguns dos juízos críticos que fazem a respeito de sua obra hiperbolizam os defeitos da narrativa - a oralidade como desculpa para o descuido gramatical, como afirma Bosi, por exemplo -, colocando em segundo, terceiro, quarto planos os aspectos positivos da leitura do escritor baiano.

Leiam um trechinho do livro "Capitães da areia":

Volta Seca e o Sem-Pernas nunca haviam acolhido uma com tanto entusiasmo. Eles muitas vezes já tinham visto um carrossel mas quase sempre ouviam de longe, cercado de mistério, cavalgadas seus rápidos ginetes por meninos ricos e choraminguentos. O Se Pernas já tinha mesmo certo dia em que penetrou num Parque de Diversões armado no Passeio Público chegado a comprar entrada para um, mas o guarda o expulsou do recinto porque ele estava vestido de farrapos. Depois o bilheteiro não quis lhe devolver o bilhete da entrada, o que fez com que o Sem-Pernas metesse as mãos na gaveta da bilheteria, que estava aberta, abafasse o troco, e tivesse que desaparecer do Passeio Público de uma maneira muito rápida, enquanto em todo o Parque se ouviam os gritos de: Ladrão!, ladrão! Houve uma tremenda confusão, enquanto o Sem-Pernas descia muito calmamente a Gamboa de Cima, levando nos bolsos pelo menos cinco vezes o que tinha pago pela entrada. Mas o Sem-Pernas preferiria, sem dúvida, ter rodado no carrossel, montado naquele fantástico cavalo de cabeça de dragão, que era sem dúvida a coisa mais estranha e tentadora na maravilha que era o carrossel para os seus olhos. Criou ainda mais ódio aos guardas e maior amor aos carrosséis distantes. E agora, de repente, vinha um homem que pagava cerveja e fazia o milagre de o chamar para viver uns dias junto a um verdadeiro carrossel, movendo com ele, montando nos seus cavalos, vendo de perto rodarem as luzes de todas as cores. E para o Sem-Pernas, Nhozinho França não era o bêbado que estava em sua frente na pobre mesa da Porta do Mar. Para seus olhos era um ser extraordinário, algo como Deus, para quem rezava Pirulito, algo como Xangô, que era o santo de João Grande e do Querido-de-Deus. Porque nem o padre José Pedro e nem mesmo a mãe-de-santo Don’Aninha seriam capazes de realizar aquele milagre. Nas noites da Bahia, numa praça de Itapagipe, as luzes do carrossel girariam loucamente movimentadas pelo Sem-Pernas.Era como num
sonho, sonho muito diverso dos que o Sem-Pernas costumava ter nas suas noites angustiosas. E pela primeira vez seus olhos sentiram-se úmidos de lágrimas que não eram causadas pela dor ou pela raiva. E seus olhos úmidos miravam Nhozinho França como a um ídolo. Por ele até a garganta de um homem o Sem-Pernas abriria com a navalha que traz entre a calça e o velho colete preto que lhe serve de paletó.


Nessa narrativa, os meninos de rua apelidados de Capitães da areia, ganham a oportunidade de trabalhar por alguns poucos dias para o funcionamento de um velho carrossel. Volta Seca e Sem-Pernas desfazem-se de sua auto-proteção contra o mundo real para se entregarem às fantasias e hipnotismos suscitados pelas voltas do carrossel e seu conjunto de luzes. Trata-se da releitura do mundo em que vivem e, embora esta releitura se dê sob parâmetros da vida miserável que levam, há espaço para manifestação de uma sensibilidade em latência.

Não devemos cair nos reducionismos que o próprio narrador da história sugere, dizendo que os capitães são meninos com vida de homens feitos; existe no texto uma atmosfera para a própria contestação da sensibilidade humana, na sua forma universal.

Ainda tenho algumas questões mal resolvidas sobre a leitura, mas acho que posso saná-las em outros espaços, deixando vocês à vontade para uma navegação mais tranquila... para aqueles que se animarem, boa leitura!

Nos vemos.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Dos políticos



Neste lugar será erguido - escrito, na verdade - um post sobre "Minority Report" em menos de uma semana!

Nos vemos

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O filme do banal:

... e eles terminaram felizes para sempre!

O mundo real ideal:

- Eu consigo te ouvir!
- Eu consigo te ouvir também!

Nos vemos.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Quando o humano já não é mais suficiente...



[http://www.nextplan.com.br/page_1178288337765.html - não havia o crédito da foto]

Não sei se nós, seres humanos, somos de fato suficientes para nós mesmos. Quer dizer, nada que a ficção científica já tenho tratado, mas justamente por isso fico me perguntando algumas questões:

1. O quanto de humano há em mim?

2. O quanto precisaria haver para que eu me sentisse plenamente satisfeito com a minha condição?

3. É possível a existência de formas de consciência mais humanas do que a nossa?

Há semanas não consigo me livrar dessas questões. Tenho tetando dividi-las com outras pessoas, mas algumas delas - das questões e das pessoas - me trazem outras questões similares.

Para este universo virtual, segue um fragmento de um conto de Lester del Rey, publicado em 1944. Nele encontramos o que para ou autor seria a primeira centelha humana na fala de um robô: a capacidade de sonhar.

Se por um lado é bonito constatar o que hoje já podemos fazer sem dificuldades, é triste saber que essa capacidade - quer dizer, a ausência dela - pode ser o nosso desaparecimento e, consequentemente, o estabelecimento de uma nova raça que também consiga tornar concreto o que apenas são imagens oníricas.

Dois pontos

(...)

- Aqui podia ter existido uma cidade, mestre, comparável a todas que foram planejadas até hoje. E as pessoas que acompanharam o senhor, nela encontrariam tudo o que seria preciso para passar bem a vida, um porto para outros continentes, um rio para o interior deste aqui, e o terreiro ao lado de lá dos morros para servir de base aos foguetes que se lançariam a explorar novos mundos, disseminados com tanta largueza em torno deste sol e provavelmente parecidos com este. Imagine uma ponte imaculadamente branca ali naquela altura do rio, as residências se estendendo entre os morros, fábricas do lado de lá da curva, um grande parque naquela ilha.

- Uma praça pública ali adiante, colégios e universidades agrupados por perto – Jorgen conseguiu imaginar tudo e por um instante seus olhos se iluminaram, visualizando a magnífica cidade pioneira.

(...)

[Rey, Lester del. Mesmo que os sonhadores morram.]


Nos vemos.

domingo, 26 de abril de 2009



Refugo de posts (do Blog da Cultura):

A subversão do gênero!

http://planetadisney.blogspot.com/2009/03/princesas-disney-ganham-visual-de.html

domingo, 19 de abril de 2009

"Amigos secretos"

A impressão que se tem quando chegamos ao fim da leitura do livro de Ana Maria Machado é de que fizemos parte de uma grande homenagem aos grandes deuses da universalidade humana. Não que seus personagens sejam de fato deuses, ou que nós sejamos os autores de livro. As palavras da Ana, contudo, conseguem redesenhar com uma sensibilidade tocante pessoas maravilhosas, como Emília, Tom Sawer, Dom Quixote e outros.

Seu livro também me parece um grande portal para universos infindáveis, aos quais temos livre acesso e trânsito!

Crédito também para as ilustrações de Laurent Cardon por não se furtar da tarefa de compor um pouco mais de sentido com Ana Maria Machado!

Livrasso!

Nos vemos.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Manual de sobrevivência

1. Pare tudo o que você faz; nada é mais prioritário do que isso.

2. Lave as mãos;

3. Esteja com os olhos bem abertos;

4. Concentre-se;

(momento final:)

5. Abra e leia um livro!

Nos vemos.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Intervalo (teórico)

Estou começando a entender o que é a Teoria. Ela é um ser, uma sensação, um bichão que, de repente, pega! Morde, rasga, submete... a Teoria evidencia a minha burrice; cobre o meu corpo de lama, enquanto ela desagua em sais de banho. A Teoria entende daquilo que eu mais gosto - mais do que eu!

A Teoria - a intocada - me mantem vivo, pensante. Ela não me humilha, me agrada. Trata-me bem; indica meus caminhos, limpa minhas vias...

Vou desligar o computador para admirá-la, enquanto ela me bate!

Nos vemos.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

DIÁRIO DE LEITURA II – O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO

O LIVRO

Este livro sempre me intrigou... No meu 2º colegial, quando o Orkut já era uma espécie de órgão virtual que definia se uma pessoa era ou não, entrei no profile – porque antes era assim que se falava - daquele que pra mim era um dos intelectuais da sala: Guilherme Monteiro. Por que ele era o intelectual? Ora... toda semana via um livro diferente na carteira dele quando saia para o intervalo. Se ele lia ou não, isso era outra história... O fato é que a simples presença de livros diferentes em curtos espaços de tempo já impressionavam a minha inexperiência como leitor de qualquer coisa.

Na seção livros, constava uma infinidade de nomes... mais uma evidência de que ele realmente já era um intelectual... se eu fosse escrever algo nessa seção, certamente seriam três ou quatro nome de livros, incluindo aí talvez os Harry Potter ou Senhor dos Anéis. O Gui não... ele colocava nome de escritores, e com isso eu já pressupunha não a leitura de um livro, mas de vários, uma vez que cada nome representava pra mim um universo que eu estava ainda muito longe de explorar...

Shakespeare, Nietzsche, Clarice, Drummond, Cervantes, Dante, Maquiavel, fulano, ciclano etc.

Entre todos esses nomes, em primeiro lugar, na frente dos escritores que eu conhecia e também dos que eu desconhecia, figurava um, inédito, enigmático: J.D. SALINGER. Seu livro? O apanhador no campo de centeio...

Parado, em frente à tela do computador, ainda sem a Wikipédia, fiquei ali... imaginando nos sete ou oito segundos as imagens que esse título evocavam.

Uma noite já bem estabelecida, duas ou três da manhã, brilhava imponente uma lua cheiíssima. Tratava-se de uma clareira, no meio de uma floresta de mato alto. A luz do satélite refletia nas águas de uma lagoa razoável... feito um cenário de filme...

Terminavam aí as imagens que o título me provocavam. Anos após esse dia, ainda sem a leitura do Salinger, encontro-me aqui, agora de novo em frente ao computador, mas com O apanhador... do lado, esperando ansioso pela minha leitura...
DIÁRIO DE LEITURA II – O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO

O LIVRO



Este livro sempre me intrigou... No meu 2º colegial, quando o Orkut já era uma espécie de órgão virtual que definia se uma pessoa era ou não, entrei no profile – porque antes era assim que se falava - daquele que pra mim era um dos intelectuais da sala: Guilherme Monteiro. Por que ele era o intelectual? Ora... toda semana via um livro diferente na carteira dele quando saia para o intervalo. Se ele lia ou não, isso era outra história... O fato é que a simples presença de livros diferentes em curtos espaços de tempo já impressionavam a minha inexperiência como leitor de qualquer coisa.

Na seção livros, constava uma infinidade de nomes... mais uma evidência de que ele realmente já era um intelectual... se eu fosse escrever algo nessa seção, certamente seriam três ou quatro nome de livros, incluindo aí talvez os Harry Potter ou Senhor dos Anéis. O Gui não... ele colocava nome de escritores, e com isso eu já pressupunha não a leitura de um livro, mas de vários, uma vez que cada nome representava pra mim um universo que eu estava ainda muito longe de explorar...

Shakespeare, Nietzsche, Clarice, Drummond, Cervantes, Dante, Maquiavel, fulano, ciclano etc.

Entre todos esses nomes, em primeiro lugar, na frente dos escritores que eu conhecia e também dos que eu desconhecia, figurava um, inédito, enigmático: J.D. SALINGER. Seu livro? O apanhador no campo de centeio...

Parado, em frente à tela do computador, ainda sem a Wikipédia, fiquei ali... imaginando nos sete ou oito segundos as imagens que esse título evocavam.

Uma noite já bem estabelecida, duas ou três da manhã, brilhava imponente uma lua cheiíssima. Tratava-se de uma clareira, no meio de uma floresta de mato alto. A luz do satélite refletia nas águas de uma lagoa razoável... feito um cenário de filme...

Terminavam aí as imagens que o título me provocavam. Anos após esse dia, ainda sem a leitura do Salinger, encontro-me aqui, agora de novo em frente ao computador, mas com O apanhador... ao lado, esperando ansioso pela minha leitura...

sábado, 4 de abril de 2009

Colomba Pascal não é panetone!

Não adianta. Os postos Ipiranga há dois Natais ofertam a seus clientes panetones Bauduco, no abastecimento acima de 20,00. Este ano, por conta de algum marketeiro irracional, enquadraram a colomba pascal no mesmo tipo de promoção.

Gostaria de deixar claro que isto é resultado de uma mente desarticulada que não tem capacidade de estabeler critérios minimamente razoáveis para a organização do mundo em categorias.

Panetone não pode ser comparável a nenhum outro gênero alimentício, sobretudo àqueles que tentam se passar acintosamente por ele.

Talvez se os postos Ipiranga quisessem criar uma promoção semelhante a que se faz nos tempos natalinos, o ideal mesmo fosse a disponibilização para seus clientes de um cristal da sabedoria suprema.

Francamente....

Nos vemos.

quinta-feira, 26 de março de 2009

...

ka 15 all pa ka no pa lu le ex sub hi fa th ev op in th bo
lçjnfjndojkgkndkngjndfgljkglknglkngklngdfklnkngfkgnfkgnnfk




22.03.09, Chácara Jockei, São Paulo.




...


...

...

PS: Por uma questão de coerência, não encerrarei mais os textos com "felicidades eternas e, nos vemos". Não é mais isso que desejo para ninguém. Agora acho que a "felicidade eterna" pode ser algo bem chato...

Nos vemos.

domingo, 15 de março de 2009

Por ocasião

Por ocasião da minissérie Capitu, a rede Glogo lanço um projeto chamado Mil Casmurros. Trata-se da leitura, na íntegra, da belíssima obra de Machado por conhecidíssimos e desconhecidos.

Se você possuir uma boa conexão, e quiser dividir com outras pessoas a sua leitura silenciosa, vá em frente:

http://www.milcasmurros.com.br/

Felicidades eternas e, nos vemos.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Sobre (a impossibilidade crônica de) o amor e o transporte

Escala municipal
Eu voltava de ônibus B51; ela, de B21.

Escala estadual
Eu voltava de viação Cristália; ela, de fênix.

Escala federal
Eu não fui pra voltar; ela não ficou sem ir.

Felicidades eternas e, nos vemos.