quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

E esse é o fim das palavras e dos caramelos... Pelo menos das palavras que estão aqui e dos caramelos que por tanto tempo me conduziram neste espaço... Vou inventar outras coisas num espaço diferente - que ainda está em gestação. Por enquanto, obrigado mesmo pela leitura atenciosa, frequente, crítica, elogiosa... gentil! Todas elas me serviram sempre, e vão continuar me servindo! Um grande abraço, Nos vemos. Nos vemos.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Obrigado!

Discurso de Paraninfo para os alunos do 3ªA, Colégio Fleming Campinas. 07 de Dezembro. Ano 2011.

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Senhores pais, amigos professores, coordenação, direção, convidados,... Meninos ... boa noite!

É incrível pensar como depois de três anos - com encontros de quase duas horas semanais - eu ainda tenha coisas a serem ditas pra vocês.

Honestamente não haverá nada de novo. O curioso ou o interessante desta fala reside justamente na minha tentativa absolutamente amadora de falar coisas velhas - e descaradamente batidas - dando-lhes uma roupagem de gala.
A intenção - que fique bem claro! - é menos a pretensão, e mais a necessidade de vê-los, de novo, ... de vê-los, uma última vez, na verdade... atentos àquilo que eu julgo - arbitrariamente - importante falar sobre o mundo.

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Certa vez - era uma sexta-feira de 2009 - a Profª. Silvana, de Gramática, afirmou o seguinte a respeito do 1ºA - hoje 3ºA: “Eles são espetaculares! É a turma em que ninguém se repete... tem de tudo ali...”.

Na época, eu tinha inúmeros problemas de disciplina na turma. Por vários motivos. Mas... sobretudo... por eu não compreender que eu não podia dar UMA aula para 25 alunos. A fala da Profª. Silvana veio epifanicamente me esclarecer que eu deveria preparar de um mesmo tema 25 aulas para 25 alunos.

Evidentemente se alguém me perguntar, eu não vou conseguir nem esboçar uma resposta de como se faz isso. Também não posso garantir que de fato naquele ano eu tenha dado no mesmo espaço-tempo 25 aulas diferentes. Às vezes eram 23, 15, 7... às vezes - e eu preciso ser muito honesto com relação a isso - não conseguia nem meia aula direito.

Às vezes, contudo, - e essas também não foram poucas ao longo destes três anos como professor de Literatura -, cada uma das aulas que eu preparava... para cada um de vocês... de repente se fundiam em uma só, e de repente eu tinha a um só tempo a generosa e respeitosa atenção de todos de uma só vez. (Pausa) Aí... (Pausa) matávamos Inês de Castro juntos, morríamos de amar com Werther, subíamos em cima de defuntos na frente dos diretores da escola, na taverna do Álvares de Azevedo.

Vocês transbordavam da sala, esparramados... Rigorosamente travessos, forçavam os caprichos do mundo que queríamos na sem-gracisse do mundo que tínhamos. E mesmo nossas falas... ali dentro, elas nunca conheceram muitos os limites do que elas podiam dizer para aquilo que gostávamos de imaginar. E de repente... (pausa) por uma espécie de milagre absolutamente premeditado... (pausa) vocês sempre me faziam acreditar - porque, de fato, é verdade - que podemos muito mais o que queremos do que o que precisamos.

Nesses momentos, ... (pausa) onde estávamos menos na sala e mais no mundo, gradualmente nos despedíamos. Porque o professor... os professores... (pausa) servem pra isso mesmo: para escrever o melhor prefácio do mundo... sobre o mundo... para que depois vocês mesmo o conheçam, e o vivam, e o chorem, e o rasguem... e o reescrevam, e o mudem... como tão gentilmente vocês tantas vezes me mudaram...!

Obrigado!
Prof. Alexandre

sábado, 3 de dezembro de 2011

Augusto Mendes Ribeiro

No dia em que Augusto Mendes Ribeiro morreu, eu fiquei verdadeiramente triste. Ele era uma ótima companhia. Sobretudo para os momentos ruins! Quando eu estava quebrando a casa porque certa mulher não mais me procurava, ele aparecia com pinga, numa garrafa pet de 600 ml e me convidava a beber até morrer. Eu - evidentemente - bebia duas ou três doses e morria. Ele, quando eu 'ressuscitava' no dia seguinte, parecia ter passado a noite assistindo a filmes cults e comendo alimentos à base de soja.

Eu acho que fazia bem às minhas mediocridades ver o quão bem Augusto Mendes Ribeiro vivia como gente simples.

Aí ele morreu. De verdade. Nem foi da bebida. Até onde sei, parece que foi um atropelamento. Ele também não foi o culpado. Parece que o motorista - esse sim embriagado - avançou no farol vermelho. Às quatro da tarde! Aí ele morreu. Meio na hora, meio no hospital.

Eu acho que pessoas como o Augusto Mendes Ribeiro nem deveriam morrer. Eu deveria! Eu complico demais as coisas; tento adivinhar o futuro; preocupo-me exageradamente com minha imagem; aprendo coisas que nem são pra mim; tenho preguiça... e por aí vai... Já o Augusto Mendes Ribeiro vivia muito bem na sua simplicidade. E se agora ele morre - meio velho, meio novo, meio bêbado, meio bom, meio pobre, meio paupérrimo -, morre como um ser humano inteiro, que a vida toda não se preocupou em forjar as suas metadinhas, senão sendo.

Eu nem sei se adianta essa coisa de dizer em voz alta com fé. Ultimamente tanto a voz alta como a fé têm me faltado. De qualquer forma, Augusto Mendes Ribeiro merece toda a minha metade não afetada por mim: descanse em paz, meu bom amigo!

Nos vemos.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Na loja de eletroeletrônicos...!

Certamente ele não era um comprador. Estava ali na loja mais ou menos como estão todos: apertando aleatoriamente os botões disponíveis e ouvindo desinteressado trinta segundos de músicas dos discos das prateleiras.

O tablet da Apple parecia verdadeiramente atraente. Já se via possuidor de um daqueles. E via também a expressão de impressionado que seu cunhado faria quando ele tirasse da capinha o brinquedo recém adquirido.

Ele não parecia ter mesmo intimidade com as tais novas tecnologias. Tanto que mexia no Ipad mais ou menos da mesma forma como quando se busca uma caneca para dar de amigo nas confraternizações de firma de fim de ano.

Apertou, sem querer, o ícone da galeria de fotos. Ali achou certa graça ao ver desconhecidos fotografados em seus trajes de domingo, que sorriam para fotos as quais provavelmente nunca mais veriam. Passou umas quarenta daquelas imagens, até que se deparou com três ou quatro vídeos de 9 segundos, filmados certamente no susto de outros pares que também lidavam mal com tecnologias como aquela.

Quando estava prestes, contudo, a deixar de lado o aparelho, clicou naquele que seria o seu último vídeo:

“Olá! Meu nome é Roberto! Não acho que alguém vá assistir a esse vídeo. De qualquer forma, fica aqui registrado. Não aguento mais essa m... de vida! Espero que vocês consigam suportar suas existências de 70, 80 anos... a minha já me fica bem aqui pelos vinte e poucos... Não vou falar mais porque ninguém entenderia mesmo... Nos vemos!”

Ainda assistiu ao vídeo mais uma vez. Em seguida, voltou para casa para fazer os exercícios da apostila do curso de Espanhol...


Nos vemos.

sábado, 12 de novembro de 2011

Estilhaços

Largadamente jogado.
Não me consigo ser perfeito mesmo.

Muitos papéis espalhados.
Mas o prazer pesa a frágil cama.
Afirma a desimportância das coisas todas.
Pela janela, a brisa anuncia gostosamente a chuva.

Mesmo no blog da redação do UOL ela já havia sido anunciada.
Evidentemente há muitas coisas por fazer.
O violão, os samples, e a fúria das guitarras imobilizam as providências.
De repente, o preenchimento.

Livros largados.
O filme no pause.
Pratos arbitrariamente se acumulando...


De qualquer forma, melhor sorrir agora.

Evidentemente isso não foi um poema. Isso... só aos trinta mesmo!

Nos vemos.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

[Sem título adequado]

A criança na mesa ao lado, ainda de colo, manteve-se observando a conversa o tempo todo. Nunca eu a acusaria de fofoqueira, bisbilhoteira; não mandaria que se virasse e respeitasse a nossa privacidade. Assim que ela chegou, acordamos - sem dizer palavras - que se aquela criança quisesse ouvir a nossa conversa, ela simplesmente poderia.

Acho que ela não quereria fazer nenhum tipo de comentário ao longo das nossas falas. Seria uma espécie de observadora privilegiada... Permitiríamos que ela analisasse nossas expressões, ora de desconforto, ora de espontaneidade... Ela não nos atrapalharia nem mesmo se jogasse de sua cadeirinha um de seus brinquedos de borracha no chão. Pacientemente eu me levantaria para apanhar o objeto e o entregaria com um sorriso de bom gosto nas mãos ainda trêmulas da criança.

Imaginei que talvez nesses momentos ela pudesse imperceptivelmente me chamar e me dar alguns conselhos - orientações de alguém que ainda não estivesse febrilmente viciada nas coisas da mundo -, para que errasse menos a posição das minhas mãos, o timbre da minha voz, a intensidade dos meus olhares.


Os brinquedos, contudo, não caíram. Tratava-se certamente de uma criança ainda mais educada e mais discreta do que sua aparência sugeria.

***

Seus pais resolveram ir embora. Não sabia da hora, mas achei que iam cedo. Ainda com uma última espiada, não consegui decidir se a expressão da criança era de satisfação ou tédio; se me aprovava ou reprovava. Saber seria importante pra mim. Uma espécie de alívio, ou de parâmetro para correção. Ela, contudo, mantinha as mesmas expressões da chegada: sempre sorridente, corporalmente agitada, e curiosíssima com os meus olhares. Sua pouca idade definitivamente abocanhavam a minha maturidade vacilante...

A criança se foi. A mesa provavelmente seria ocupada por algum casal de ocasião; e as atitudes e olhares dos dois, diriam muito menos do que as marotices da criança. Ainda agora sinto falta da criança.

Nos vemos.

domingo, 24 de julho de 2011

(...)

João gesticula de modo a criar nas mentes mais fracas as imagens que tão dramaticamente descreve. Mais da metade dos alunos, contudo, mantêm-se impassíveis, frente às suas palavras.

Outras folhas – essas desenhadas – embora pululem também, dos mesmos cadernos, ainda que algumas chovam de baixo para cima de cadernos até então inanimados – como deveriam ser todos os cadernos -, tomam os contornos principais da sala, instituindo uma atmosfera apocalíptica na qual, por fim, algumas verdades absolutas serão estacadas no seio da humanidade.

(...)
"Qualquer um de vocês poderia ser personagem de um romance; qualquer um de vocês poderia ser personagem neste romance".

sábado, 23 de julho de 2011

A história das coisas II

(...)


Mesmo a sua única conta de e-mail. Essa guardava atualmente a incrível quantia de 8767 mensagens recebidas. Tinha a conta há seis anos. Mas admirava-se muitíssimo de ainda hoje, depois de tantas mensagens apagadas – algumas apagadas antes mesmo de serem lidas -, ter armazenado mais de oito mil e-mails. Se quisesse, com algum esforço – não muito -, poderia contar a história da sua vida inteira por aqueles e-mails - os recebidos e os enviados. Embora eles tivessem sido inventados, enviados, lidos e apagados no curto prazo, em perspectiva, de seis anos, certamente neles era possível ler a sua vida inteira.

“Se eu escrevesse a letra a nessa mesa, pensou, nela já estaria minha vida inteira?”

(...)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

“Andei por 50 000 palavras até encontrar tu, Eu!”
(...)

Ainda faltavam quatro dias para aula. Seria no primeiro período da segunda-feira. Ainda era quinta. Digitou o título da aula no nome do arquivo do documento de texto. Ainda gastou longo tempo centralizando o título na folha virtualmente em branco, escolhendo a fonte, o tamanho dos caracteres. Com muito êxito, conseguiu evitar as consultas pasmódicas às suas redes sociais, à caixa de entrada da única conta de e-mail que mantinha. Imaginou-se um crítico – melhor... um opositor, a resistência – do sistema quando decidiu fechar o navegador de internet para melhor se concentrar na tarefa que tinha proposto para a noite da sua quinta-feira.

Contudo duas ou três das suas convenientes divisões de consciência acusavam-no de hipócrita por achar que apenas por querer ignorar por algumas horas o seu navegador de internet ele seria melhor do que todos aqueles que estariam confessamente empanturrando-se de vidas alheias.

(...)

sábado, 9 de julho de 2011

Nos próximos sete dias, vou editar o texto abaixo. Ele está, muito aos poucos, nascendo da leitura da biografia da Clarice Lispector - "Clarice,", de Benjamin Moser. Todo o processo de escrita e reescrita do texto será diariamente registrado. Evidentemente as marcas da organização desaparecerão. No próximo sábado, sobrará apenas o texto, inteiramente escrito, razoavelmente pronto, e livre de qualquer marca metalinguística de sua produção. Vamos ver o que acontece!


Aula de Literatura

- Bom dia a todos! Meu nome é Clarice Lispector. - Mantém os olhos vidrados na turma, como quem já está consumido pelo tamanho da tarefa.

- Não sei se vocês já me conhecem... ...serei a professora titular de Língua Portuguesa de vocês. Darei aulas de Literatura. "É pouco, é muito pouco. Mas já é um pouco mais do que estava sendo."

Bem... antes das apresentações, "Besteira achar que conseguiríamos nos apresentar...", gostaria de falar um pouco sobre a impossibilidade desse curso.

...

É o sinal? Devemos sair? - Todos parecem cansados com a necessidade de cruzar a porta...

Nos vemos.

Não é possível dar prosseguimento a ideia da construção do texto. Os primeiros preparativos já me dizem que esse texto não pode ter o formato cabível em um blog. Portanto, contra as minhas vontades, estou encerrando-o nas poucas linhas que escrevi para desenvolvê-lo em outra instância.

De toda forma, muitíssimo obrigado pelo interesse que vocês demonstraram por ele. Certamente vocês terão notícia dele!